À primeira vista, o governador de São Paulo, José Serra, vive uma situação confortável como potencial candidato à Presidência da República em 2010. Lidera as pesquisas em todos os cenários sobre a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Faz um governo bem-avaliado. Tem dinheiro em caixa para investimentos. Possui laços fortes com o grande empresariado --o que é fundamental para o financiamento de campanha.
Mas esse conforto é apenas aparente. Serra anda tenso. Deseja ser ungido logo o candidato do PSDB, mas o governador de Minas, o tucano Aécio Neves, não aceita fato consumado e quer uma disputa em prévias pelo país. Se a escolha fosse hoje, Serra venceria. Mas a que custo?
Em 2006, ele ficou com medo de concorrer contra Lula, que já se recuperara do escândalo do mensalão (2005). A divisão do partido pesou e alimentou o temor de disputar. Cedeu a vez para o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. A história é conhecida. Lula venceu.
Serra não pode tratorar Aécio. Se o fizer, o governador poderá cruzar os braços no segundo colégio eleitoral do país, a exemplo do que fez em 2002. Principal articulador da candidatura de Serra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deseja que Aécio apoie logo Serra. E deseja mais: que o mineiro seja candidato a vice-presidente na chapa do colega de São Paulo. Por ora, Aécio resiste.
Serra sofre também embaraços externos. Qual será o seu discurso de campanha? Ele se aproximou do presidente, com quem tem tido boa parceria administrativa. Vai falar mal de Lula em 2010? Poderá ouvir do presidente que até outro dia o tucano frequentava o Palácio do Planalto e o elogiava.
A crítica de Serra à política monetária (juros altos) do Banco Central não é unânime nem no seu partido. Ainda que fosse, renderia votos? O que Serra mudaria na política econômica? Essa mudança teria apelo eleitoral? Há fundadas dúvidas a respeito desta última indagação.
Qual será o discurso na área social? Vai manter o Bolsa Família, mas com melhoras, procurando uma "porta de saída", para usar um chavão? Isso o atual governo já promete que fará. Por que o eleitorado confiaria na oposição para melhorar o Bolsa Família e não em um candidato da situação? Enfim, há um monte de perguntas no meio do caminho de Serra.
Enquanto o PSDB está dividido e não tem um discurso de campanha consistente, Lula usa a crise como oportunidade para lançar medidas que podem render dividendos políticos à sua provável candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Nessa toada, o presidente tem boa chance de viabilizar a vitória de Dilma.
Há ainda a contradição de ser um político com cabeça de centro-esquerda com uma base de centro-direita. O DEM, antigo PFL, é o aliado preferencial do governador paulista. Lula e o PT adoram associar o PSDB ao PFL, numa jogada retórica para dizer que se trataria de uma volta ao passado (governo FHC). Quando Serra atribui alguma manifestação dos movimentos sociais a interesses políticos-eleitorais, faz um discurso conservador. Criminalizar os movimentos sociais não combina com um político de centro-esquerda, mas é música aos ouvidos de políticos de centro-direita.
Outro problema: a administração de Gilberto Kassab começa a patinar. Não se sabe se o prefeito paulistano entregará as principais promessas da campanha municipal de 2008. Serra será cobrado pelo desempenho de seu afilhado político.
Por último, vem o famoso temperamento de Serra. O desejo obsessivo de ser presidente ajuda por um lado, mas atrapalha por outro. Ele tem procurado demonstrar mais jogo de cintura. Melhorou a relação com a imprensa. Aproximou-se de desafetos --integrar Geraldo Alckmin ao secretariado e se aliar a Orestes Quércia são exemplos disso. Mas ainda mantém uma certa tendência autoritária a querer controlar o noticiário, a tentar evitar perguntas embaraçosas, a editar jornais, rádios e TVs.
Não faltam obstáculos para o favorito Serra chegar lá.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Sarney promete apoiar Aécio para presidente
A disposição do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de fechar com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), para o sucessão de Lula foi manifestado numa conversa entre os dois ontem. "Você para mim é Tancredo e não vou ficar contra Tancredo nunca", disse o veterano senador, que foi eleito vice-presidente na chapa encabeçada por Tancredo Neves, avô de Aécio.(Estado de Minas)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
PT festeja 29 anos fechado com 'projeto Dilma 2010'
O PT comemora nesta terça (10) aniversário de 29 anos. Rendido à vontade de Lula, o partido encontra-se unificado em torno da candidatura de Dilma Rousseff.
Uma candidatura não declarada, que a ministra diz que não assume “nem amarrada”. Mas que, em reunião de seu diretório nacional, o PT deu como favas contadas.
O diretório petista encontrou-se nesta segunda (9), em Brasília. Os dirigentes petistas fizeram uma análise da conjuntura.
Na política, verificou-se que não há voz dissonante na cúpula do PT quanto à opção por Dilma, vista como algo irreversível para a sucessão de 2010.
Na economia, avaliou-se que o governo Lula portou-se com acerto diante da crise financeira global. Ouviram-se, porém, críticas ao Banco Central.
A reunião do diretório prossegue nesta terça (10). O PT deve aprovar uma resolução que pede a flexibilização da política monetária. Leia-se queda da taxa de juros.
Na noite passada, o diretório do PT promoveu, na sede brasiliense do partido, um debate sobre a crise. A debatedora Dilma fez um sucesso de refrigerante.
A chefe da Casa Civil discorreu sobre a crise com desenvoltura de candidata. A certa altura, lembrou uma frase dita por Lula num encontro com empresários:
“Um bom governo combate a crise. Um governo excepcional aproveita as oportunidades da crise”.
Dilma contou à platéia detalhes da reunião do empresariado com Lula, ocorrida no final do ano passado.
Disse que os executivos das grandes empresas reconheceram no presidente “a única pessoa capaz de coesionar o país nesse momento” de turbulência econômica.
Algo que, no dizer de Dilma, “significa uma tomada de consciência de que nosso governo vem agindo corretamente e tomando as decisões corretas”.
Para a presidenciável de Lula, o governo está aniquilando o discurso da oposição e de parte da imprensa.
“Diziam que éramos bons para governar com o vento a favor, mas que não saberíamos o que fazer diante da crise econômica...”
“...Mas há, hoje, clara percepção de que o Brasil está em melhores condições do que qualquer outro país, e de que o governo está tomando as medidas necessárias para o enfrentamento” da crise.
O ápice dos festejos do aniversário do PT será um megajantar, em Brasília, nesta terça. Coisa para 1.200 talheres.
Lula não disse se vai. Sua eventual ausência realçará a presença de Dilma, vista como a grande estrela da noite.
Longe do fausto que marcou a era delúbio-valeriana, o PT foi buscar no bolso dos comensais o dinheiro para o repasto. Estima-se que custará cerca de R$ 100 mil.
O valor da “adesão” variou conforme o tamanho da conta bancária. A menor mordida saiu por R$ 200. A intermediária, R$ 500. A maior, R$ 1.000.
O dia foi organizado como uma passarela para Dilma. Antes do jantar consagrador, a candidata desfilará seu rosto reformado na abertura de um encontro com prefeitos.
Prefeitos de todo país, filiados a legendas governistas e de oposição. O sucesso da empreitada é certo como o nascer do Sol.
Para comprar a simpatia dos prefeitos, o governo vai desembrulhar em Brasília um pacote de bondades.
O afago mais vistoso do embrulho é uma medida provisória que prevê a rolagem de débitos previdenciários dos municípios por 20 anos. Um mimo de R$ 14 bilhões.
Em troca, o governo deseja amarrar as prefeituras a programas idealizados em Brasília. Entre eles o PAC, principal peça do marketing eleitoral de "mãe" Dilma.
Folha Online
Uma candidatura não declarada, que a ministra diz que não assume “nem amarrada”. Mas que, em reunião de seu diretório nacional, o PT deu como favas contadas.
O diretório petista encontrou-se nesta segunda (9), em Brasília. Os dirigentes petistas fizeram uma análise da conjuntura.
Na política, verificou-se que não há voz dissonante na cúpula do PT quanto à opção por Dilma, vista como algo irreversível para a sucessão de 2010.
Na economia, avaliou-se que o governo Lula portou-se com acerto diante da crise financeira global. Ouviram-se, porém, críticas ao Banco Central.
A reunião do diretório prossegue nesta terça (10). O PT deve aprovar uma resolução que pede a flexibilização da política monetária. Leia-se queda da taxa de juros.
Na noite passada, o diretório do PT promoveu, na sede brasiliense do partido, um debate sobre a crise. A debatedora Dilma fez um sucesso de refrigerante.
A chefe da Casa Civil discorreu sobre a crise com desenvoltura de candidata. A certa altura, lembrou uma frase dita por Lula num encontro com empresários:
“Um bom governo combate a crise. Um governo excepcional aproveita as oportunidades da crise”.
Dilma contou à platéia detalhes da reunião do empresariado com Lula, ocorrida no final do ano passado.
Disse que os executivos das grandes empresas reconheceram no presidente “a única pessoa capaz de coesionar o país nesse momento” de turbulência econômica.
Algo que, no dizer de Dilma, “significa uma tomada de consciência de que nosso governo vem agindo corretamente e tomando as decisões corretas”.
Para a presidenciável de Lula, o governo está aniquilando o discurso da oposição e de parte da imprensa.
“Diziam que éramos bons para governar com o vento a favor, mas que não saberíamos o que fazer diante da crise econômica...”
“...Mas há, hoje, clara percepção de que o Brasil está em melhores condições do que qualquer outro país, e de que o governo está tomando as medidas necessárias para o enfrentamento” da crise.
O ápice dos festejos do aniversário do PT será um megajantar, em Brasília, nesta terça. Coisa para 1.200 talheres.
Lula não disse se vai. Sua eventual ausência realçará a presença de Dilma, vista como a grande estrela da noite.
Longe do fausto que marcou a era delúbio-valeriana, o PT foi buscar no bolso dos comensais o dinheiro para o repasto. Estima-se que custará cerca de R$ 100 mil.
O valor da “adesão” variou conforme o tamanho da conta bancária. A menor mordida saiu por R$ 200. A intermediária, R$ 500. A maior, R$ 1.000.
O dia foi organizado como uma passarela para Dilma. Antes do jantar consagrador, a candidata desfilará seu rosto reformado na abertura de um encontro com prefeitos.
Prefeitos de todo país, filiados a legendas governistas e de oposição. O sucesso da empreitada é certo como o nascer do Sol.
Para comprar a simpatia dos prefeitos, o governo vai desembrulhar em Brasília um pacote de bondades.
O afago mais vistoso do embrulho é uma medida provisória que prevê a rolagem de débitos previdenciários dos municípios por 20 anos. Um mimo de R$ 14 bilhões.
Em troca, o governo deseja amarrar as prefeituras a programas idealizados em Brasília. Entre eles o PAC, principal peça do marketing eleitoral de "mãe" Dilma.
Folha Online
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Dilma é recebida como candidata a presidente em reunião do PT
12/12/2008 17:30:00
Do G1
Convidada para abrir encontro de prefeitos eleitos pelo PT, nesta sexta-feira, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi tratada como a candidata do partido para a eleição presidencial de 2010.
Anunciada pelo mestre de cerimônias do evento como a representante das "expectativas de continuidade dos petistas" e das "realizações do governo Lula", Dilma discursou por cerca de meia hora e ao final foi aplaudida de pé.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem afirmado que Dilma é a sua escolhida para a disputa pela sucessão. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP) disse a jornalistas concordar com Lula. Ele ponderou que o partido aguardará o ano que vem para saber se outras pessoas têm as mesmas pretensões, mas destacou as qualidades da ministra, que tem "um perfil de gestão, agregação, conta com o respeito dos empresários e dos trabalhadores e é ligada ao desenvolvimento".
"Não vejo candidatura melhor do que a dela", declarou Berzoini.
Para o presidente do PT, o partido só deve anunciar oficialmente o candidato em fevereiro ou março de 2010, pois a decisão não pode atrapalhar a agenda de Dilma como ministra. "O momento correto de formalizar é em 2010, o ano da eleição."
Berzoini frisou que o partido está gostando da maior aproximação de Dilma, que por sua vez está "ciente da responsabilidade que tem".
"Não há nenhuma restrição a ela no partido", afirmou.
Reunião
O encontro com os prefeitos foi uma forma de Dilma fortalecer as ligações com os militantes petistas, o que é considerado por setores do partido um dos desafios para a consolidação de seu nome como candidata do PT à Presidência da República.
Nas eleições municipais deste ano, Dilma iniciou um movimento para inverter essa situação, participando da campanha de diversos candidatos petistas. A ministra também passou a trabalhar sua imagem e a linguagem de seus discursos, marcados até então por jargões técnicos de difícil entendimento pelo povo.
Vestida de vermelho, a cor do PT, Dilma elogiou o desempenho do partido nas eleições municipais. Disse que, diferentemente do que muitos dizem, a sigla saiu vitoriosa do pleito, principalmente em função da reeleição de muitos prefeitos.
Para a ministra, esse dado "qualitativo" mostra que o partido cresce de forma orgânica e a população aprova o modo petista de governar, comprometido com o desenvolvimento e a distribuição de renda, segundo ela. O PT conquistou 559 municípios nas eleições de outubro.
"A verdade é que o PT cresceu de forma robusta", destacou a ministra em discurso. "Se há algo que se deve politizar é a gestão pública. Nós (governo Lula e prefeitos petistas) temos os mesmos métodos, e é isso que nos distingue", acrescentou.
A chefe da Casa Civil ressaltou também a importância de prefeitos trabalharem em conjunto com o governo federal, lembrando que o governo Lula aumentou os repasses financeiros para as prefeituras. "Essa é uma mudança no padrão republicano de relacionamento."
Alianças
Em outra passagem do discurso, a ministra elogiou a capacidade do PT de fazer alianças partidárias e coligações. O PT e os partidos de oposição disputam o apoio de legendas que hoje fazem parte da coalizão governista para as eleições de 2010, principalmente do PMDB.
Depois da cerimônia de abertura do evento, Dilma foi questionada por jornalistas sobre a declaração feita por Lula de que é a melhor candidata para 2010.
"É uma declaração do presidente Lula. Não posso concordar ou discordar. Só considero isso: uma declaração do presidente Lula", desconversou.
Do G1
Convidada para abrir encontro de prefeitos eleitos pelo PT, nesta sexta-feira, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi tratada como a candidata do partido para a eleição presidencial de 2010.
Anunciada pelo mestre de cerimônias do evento como a representante das "expectativas de continuidade dos petistas" e das "realizações do governo Lula", Dilma discursou por cerca de meia hora e ao final foi aplaudida de pé.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem afirmado que Dilma é a sua escolhida para a disputa pela sucessão. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP) disse a jornalistas concordar com Lula. Ele ponderou que o partido aguardará o ano que vem para saber se outras pessoas têm as mesmas pretensões, mas destacou as qualidades da ministra, que tem "um perfil de gestão, agregação, conta com o respeito dos empresários e dos trabalhadores e é ligada ao desenvolvimento".
"Não vejo candidatura melhor do que a dela", declarou Berzoini.
Para o presidente do PT, o partido só deve anunciar oficialmente o candidato em fevereiro ou março de 2010, pois a decisão não pode atrapalhar a agenda de Dilma como ministra. "O momento correto de formalizar é em 2010, o ano da eleição."
Berzoini frisou que o partido está gostando da maior aproximação de Dilma, que por sua vez está "ciente da responsabilidade que tem".
"Não há nenhuma restrição a ela no partido", afirmou.
Reunião
O encontro com os prefeitos foi uma forma de Dilma fortalecer as ligações com os militantes petistas, o que é considerado por setores do partido um dos desafios para a consolidação de seu nome como candidata do PT à Presidência da República.
Nas eleições municipais deste ano, Dilma iniciou um movimento para inverter essa situação, participando da campanha de diversos candidatos petistas. A ministra também passou a trabalhar sua imagem e a linguagem de seus discursos, marcados até então por jargões técnicos de difícil entendimento pelo povo.
Vestida de vermelho, a cor do PT, Dilma elogiou o desempenho do partido nas eleições municipais. Disse que, diferentemente do que muitos dizem, a sigla saiu vitoriosa do pleito, principalmente em função da reeleição de muitos prefeitos.
Para a ministra, esse dado "qualitativo" mostra que o partido cresce de forma orgânica e a população aprova o modo petista de governar, comprometido com o desenvolvimento e a distribuição de renda, segundo ela. O PT conquistou 559 municípios nas eleições de outubro.
"A verdade é que o PT cresceu de forma robusta", destacou a ministra em discurso. "Se há algo que se deve politizar é a gestão pública. Nós (governo Lula e prefeitos petistas) temos os mesmos métodos, e é isso que nos distingue", acrescentou.
A chefe da Casa Civil ressaltou também a importância de prefeitos trabalharem em conjunto com o governo federal, lembrando que o governo Lula aumentou os repasses financeiros para as prefeituras. "Essa é uma mudança no padrão republicano de relacionamento."
Alianças
Em outra passagem do discurso, a ministra elogiou a capacidade do PT de fazer alianças partidárias e coligações. O PT e os partidos de oposição disputam o apoio de legendas que hoje fazem parte da coalizão governista para as eleições de 2010, principalmente do PMDB.
Depois da cerimônia de abertura do evento, Dilma foi questionada por jornalistas sobre a declaração feita por Lula de que é a melhor candidata para 2010.
"É uma declaração do presidente Lula. Não posso concordar ou discordar. Só considero isso: uma declaração do presidente Lula", desconversou.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Dilma já adota modelo de discurso de Lula (Tribuna da Imprensa)
SÃO SALVADOR (TO) - Ao inaugurar ontem a primeira hidrelétrica financiada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, seguiu à risca as receitas de discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente na festa que reuniu cerca de 150 pessoas, incluindo grandes empreiteiros.
Num palco montado perto do lago formado pelas águas do Rio Tocantins, a 420 quilômetros de Palmas, a ministra lembrou o apagão elétrico no governo tucano, chamou os convidados de "companheiros" e "companheiras" ao invés de "senhores" e "senhoras", como costumava dizer, e fez críticas ao governo anterior.
Com o calor, Lula chegou a emprestar um lenço para a ministra enxugar o suor do rosto. "Vivemos uma insegurança no abastecimento de energia elétrica, que foi o apagão de 2001", disse a ministra, repetindo um tradicional discurso do presidente de crítica ao governo Fernando Henrique Cardoso.
Dilma afirmou que o atual governo definiu como diretrizes do setor de energia a redução do preço das tarifas, a segurança no abastecimento, a competição entre as empresas e a definição de um novo marco regulatório. Foi esse modelo, segundo ela, que viabilizou a construção da Usina de São Salvador, inaugurada ontem. "Antes, se licitava energia sem licença prévia, por exemplo, era papel puro."
A coordenadora do PAC ressaltou que o governo garantiu linhas de financiamentos a longo prazo para a construção de hidrelétricas. Dos R$ 850 milhões de investimentos da usina de São Salvador, do grupo francês GDF Suez, 67% foram recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Construída em 32 meses, a usina foi inaugurada um ano antes do previsto. "O PAC fez com que São Salvador saísse do papel", disse. "Aqueles que dizem que as obras (do PAC) estão atrasadas deveriam dizer que São Salvador foi antecipada", completou. "Nós fornecemos crédito de 20 anos, taxa de juros adequada e prazo de carência."
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, apontado como candidato a vice na chapa presidencial encabeçada pela ministra, se esforçou para aparecer nas imagens ao lado dela e do presidente Lula. Dali, os dois ministros seguiram para Salgueiro, no semiárido pernambucano, onde visitariam o canteiro de obras do projeto de transposição do Rio São Francisco.
Ainda no Tocantins, Lula brincou: "Não sei por que a Dilma está andando muito". A plateia riu. "Eu trabalho com a certeza que quando eu acabar a Presidência, quem vier depois de mim, que eu espero que seja quem eu penso que vai ser, vai receber o País muito mais organizado, mais destravado."
Questionado em entrevista se Dilma e Geddel poderiam compor uma chapa, Lula desconversou: "Primeiro, não sou eu que escolho. Segundo, não é o momento de escolher". "Quando chegar o momento certo eu terei imenso prazer de dizer", completou. Pessoas próximas de Lula dizem que o nome de Geddel como vice de Lula soa como uma "brincadeira".
Num palco montado perto do lago formado pelas águas do Rio Tocantins, a 420 quilômetros de Palmas, a ministra lembrou o apagão elétrico no governo tucano, chamou os convidados de "companheiros" e "companheiras" ao invés de "senhores" e "senhoras", como costumava dizer, e fez críticas ao governo anterior.
Com o calor, Lula chegou a emprestar um lenço para a ministra enxugar o suor do rosto. "Vivemos uma insegurança no abastecimento de energia elétrica, que foi o apagão de 2001", disse a ministra, repetindo um tradicional discurso do presidente de crítica ao governo Fernando Henrique Cardoso.
Dilma afirmou que o atual governo definiu como diretrizes do setor de energia a redução do preço das tarifas, a segurança no abastecimento, a competição entre as empresas e a definição de um novo marco regulatório. Foi esse modelo, segundo ela, que viabilizou a construção da Usina de São Salvador, inaugurada ontem. "Antes, se licitava energia sem licença prévia, por exemplo, era papel puro."
A coordenadora do PAC ressaltou que o governo garantiu linhas de financiamentos a longo prazo para a construção de hidrelétricas. Dos R$ 850 milhões de investimentos da usina de São Salvador, do grupo francês GDF Suez, 67% foram recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Construída em 32 meses, a usina foi inaugurada um ano antes do previsto. "O PAC fez com que São Salvador saísse do papel", disse. "Aqueles que dizem que as obras (do PAC) estão atrasadas deveriam dizer que São Salvador foi antecipada", completou. "Nós fornecemos crédito de 20 anos, taxa de juros adequada e prazo de carência."
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, apontado como candidato a vice na chapa presidencial encabeçada pela ministra, se esforçou para aparecer nas imagens ao lado dela e do presidente Lula. Dali, os dois ministros seguiram para Salgueiro, no semiárido pernambucano, onde visitariam o canteiro de obras do projeto de transposição do Rio São Francisco.
Ainda no Tocantins, Lula brincou: "Não sei por que a Dilma está andando muito". A plateia riu. "Eu trabalho com a certeza que quando eu acabar a Presidência, quem vier depois de mim, que eu espero que seja quem eu penso que vai ser, vai receber o País muito mais organizado, mais destravado."
Questionado em entrevista se Dilma e Geddel poderiam compor uma chapa, Lula desconversou: "Primeiro, não sou eu que escolho. Segundo, não é o momento de escolher". "Quando chegar o momento certo eu terei imenso prazer de dizer", completou. Pessoas próximas de Lula dizem que o nome de Geddel como vice de Lula soa como uma "brincadeira".
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Sarney consolida Dilma, mas abre cisão no PT (Pedro do Coutto)
As vitórias de José Sarney e Michel Temer para as mesas do Congresso, se de um lado consolidaram de modo absoluto a candidatura da ministra Dilma Roussef na sucessão de 2010, mantendo firme a aliança PMDB-PT em torno do governo Lula, de outro contribuíram, especialmente para a eleição de Sarney, para tornar evidente uma cisão no Partido dos Trabalhadores.
Inegavelmente este, no fundo, foi o sentido que inspirou a presença de Tião Viana na disputa pelo comando do Senado. E não apenas isso. A senadora Ideli Salvati, ex-líder do PT, que se empenhou por Tião, acusou correligionários de terem traído compromissos que assumiram em favor desta candidatura.
A insatisfação com Sarney, assim, foi tornada pública. Sentindo a dissidência que começou a aparecer, o PSDB decidiu apoiar o parlamentar do Acre contra o do Amapá, ex-presidente da República. Na esperança de vencer a disputa na chamada câmara alta? Não.
Os senadores tucanos, Arthur Virgílio à frente, sabiam que não poderiam vencer. Até mesmo talvez nem quisessem a vitória, pois esta poderia desestabilizar politicamente o presidente Lula. Não poderia ser este o interesse da oposição. O interesse da oposição era o de encurtar a margem de derrota no Senado visando com isso alimentar a divisão que emergiu das cinzas parlamentares de segunda-feira. Conseguiu.
Como a candidatura de José Serra dá sinais de se encontrar plenamente projetada para o embate do próximo ano, a começar pelo que revelam as pesquisas do Datafolha e do Ibope, o PSDB tenta, desde já, reduzir o poder de fogo do Partido dos Trabalhadores. Manobra, aliás, inteligente. Em relação à qual Tião Viana não pode alegar desconhecimento.
O senador Tião cumpriu com perfeição o desempenho a que se propôs. Não que tenha traído a legenda ou o governo de Lula. Mas sim porque deixou claro a existência de pelo menos uma dose de insatisfação quanto à escolha da chefe da Casa Civil para disputar as eleições presidenciais que vão se realizar daqui a somente vinte meses.
Vinte meses passam depressa. Daí, de outro lado, a urgência do Senado e da Câmara votarem a reforma política, sempre adiada, mas que no momento torna inadiável uma definição nela contida: a reeleição acaba ou permanece? Este é um ponto vital. E não pode a decisão passar deste ano. Se o fim da reeleição, como se espera, ficar para 2010, só poderá vigorar a partir de 2014.
E não é este o interesse do presidente Lula e do próprio PT. O objetivo natural do presidente é que o segundo mandato acabe logo, mesmo ao preço do período presidencial voltar a ser de cinco anos, como foi o de JK antes da crise que começou com a renúncia de Jânio Quadros e atingiu o cume com o movimento militar que derrubou o presidente João Goulart. Mas isso pertence à História, encontra-se na galeria do passado.
O futuro próximo exige uma definição rápida. Sela ela qual for. O fim da reeleição, pelo que se percebe na atmosfera, interessa a todos, envolvendo tanto a opinião pública quanto os partidos. A candidatura Dilma Roussef certamente vai mobilizar o PT, até porque o partido não possui outro caminho, a menos que rompesse com Lula.
Não vai romper, claro. Porém vai desenvolver esforços e articulações para que Dilma Roussef desça um pouco do Planalto e se aproxime mais da planície. Ou seja: vá mais ao encontro do PT. Política é assim.
Inegavelmente este, no fundo, foi o sentido que inspirou a presença de Tião Viana na disputa pelo comando do Senado. E não apenas isso. A senadora Ideli Salvati, ex-líder do PT, que se empenhou por Tião, acusou correligionários de terem traído compromissos que assumiram em favor desta candidatura.
A insatisfação com Sarney, assim, foi tornada pública. Sentindo a dissidência que começou a aparecer, o PSDB decidiu apoiar o parlamentar do Acre contra o do Amapá, ex-presidente da República. Na esperança de vencer a disputa na chamada câmara alta? Não.
Os senadores tucanos, Arthur Virgílio à frente, sabiam que não poderiam vencer. Até mesmo talvez nem quisessem a vitória, pois esta poderia desestabilizar politicamente o presidente Lula. Não poderia ser este o interesse da oposição. O interesse da oposição era o de encurtar a margem de derrota no Senado visando com isso alimentar a divisão que emergiu das cinzas parlamentares de segunda-feira. Conseguiu.
Como a candidatura de José Serra dá sinais de se encontrar plenamente projetada para o embate do próximo ano, a começar pelo que revelam as pesquisas do Datafolha e do Ibope, o PSDB tenta, desde já, reduzir o poder de fogo do Partido dos Trabalhadores. Manobra, aliás, inteligente. Em relação à qual Tião Viana não pode alegar desconhecimento.
O senador Tião cumpriu com perfeição o desempenho a que se propôs. Não que tenha traído a legenda ou o governo de Lula. Mas sim porque deixou claro a existência de pelo menos uma dose de insatisfação quanto à escolha da chefe da Casa Civil para disputar as eleições presidenciais que vão se realizar daqui a somente vinte meses.
Vinte meses passam depressa. Daí, de outro lado, a urgência do Senado e da Câmara votarem a reforma política, sempre adiada, mas que no momento torna inadiável uma definição nela contida: a reeleição acaba ou permanece? Este é um ponto vital. E não pode a decisão passar deste ano. Se o fim da reeleição, como se espera, ficar para 2010, só poderá vigorar a partir de 2014.
E não é este o interesse do presidente Lula e do próprio PT. O objetivo natural do presidente é que o segundo mandato acabe logo, mesmo ao preço do período presidencial voltar a ser de cinco anos, como foi o de JK antes da crise que começou com a renúncia de Jânio Quadros e atingiu o cume com o movimento militar que derrubou o presidente João Goulart. Mas isso pertence à História, encontra-se na galeria do passado.
O futuro próximo exige uma definição rápida. Sela ela qual for. O fim da reeleição, pelo que se percebe na atmosfera, interessa a todos, envolvendo tanto a opinião pública quanto os partidos. A candidatura Dilma Roussef certamente vai mobilizar o PT, até porque o partido não possui outro caminho, a menos que rompesse com Lula.
Não vai romper, claro. Porém vai desenvolver esforços e articulações para que Dilma Roussef desça um pouco do Planalto e se aproxime mais da planície. Ou seja: vá mais ao encontro do PT. Política é assim.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Sarney enviou recado ao Palácio do Planalto, segundo o qual seu preferido é o governador mineiro Aécio Neves e não a Ministra Dilma
Correio Braziliense
Manchete: Eis os generais da marcha para 2010
Com Sarney e Temer, PMDB conquista as duas casas do Congresso
José Sarney (AP) e Michel Temer (SP) venceram ontem com tranquilidade as eleições para presidente do Senado e da Câmara. Os dois são filiados ao PMDB. Os dois já comandaram as respectivas casas antes, por duas vezes. E os dois tornam-se desde já protagonistas da eleição presidencial de 2010. Irritado com interferências do Palácio do Planalto em favor do adversário, Tião Viana (PT-AC), o ex-presidente Sarney avisou que não pretende pôr as tropas que comanda na defesa da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para suceder Luiz Inácio Lula da Silva. Ele enviou recado ao Palácio do Planalto, segundo o qual seu preferido é o governador mineiro Aécio Neves. Temer, por seu lado, ainda não fala abertamente sobre o assunto. Mas comanda o diretório nacional do PMDB e terá papel decisivo na construção das futuras alianças. Político muito próximo do governador paulista José Serra (PSDB), contraiu uma dívida de gratidão com Lula, que garantiu o apoio irrestrito do PT e assim ajudou a conduzi-lo ao topo da Câmara. A sorte está lançada. (págs. 1 e 2 a 10)
Alívio no Palácio do Planalto: disputa acaba sem grandes rusgas com alas do partido vitorioso (págs. 1 e 2 a 10)
Deputados licenciados retomam vagas e botam R$ 16,5 mil no bolso por um dia de trabalho (págs. 1 e 2 a 10)
Manchete: Eis os generais da marcha para 2010
Com Sarney e Temer, PMDB conquista as duas casas do Congresso
José Sarney (AP) e Michel Temer (SP) venceram ontem com tranquilidade as eleições para presidente do Senado e da Câmara. Os dois são filiados ao PMDB. Os dois já comandaram as respectivas casas antes, por duas vezes. E os dois tornam-se desde já protagonistas da eleição presidencial de 2010. Irritado com interferências do Palácio do Planalto em favor do adversário, Tião Viana (PT-AC), o ex-presidente Sarney avisou que não pretende pôr as tropas que comanda na defesa da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para suceder Luiz Inácio Lula da Silva. Ele enviou recado ao Palácio do Planalto, segundo o qual seu preferido é o governador mineiro Aécio Neves. Temer, por seu lado, ainda não fala abertamente sobre o assunto. Mas comanda o diretório nacional do PMDB e terá papel decisivo na construção das futuras alianças. Político muito próximo do governador paulista José Serra (PSDB), contraiu uma dívida de gratidão com Lula, que garantiu o apoio irrestrito do PT e assim ajudou a conduzi-lo ao topo da Câmara. A sorte está lançada. (págs. 1 e 2 a 10)
Alívio no Palácio do Planalto: disputa acaba sem grandes rusgas com alas do partido vitorioso (págs. 1 e 2 a 10)
Deputados licenciados retomam vagas e botam R$ 16,5 mil no bolso por um dia de trabalho (págs. 1 e 2 a 10)
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Quem sou eu
- Blog do Paim
- Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.