terça-feira, 2 de agosto de 2011

O que Publicam os Principais Jornais do País, nesta terça-feira (Sinopse Radiobras)


O Globo

Manchete: Na Câmara, Obama aprova o acordo com aliados divididos
Pacote que corta gastos e eleva dívida será votado hoje no Senado

Sem o apoio do seu partido, o presidente Barack Obama conseguiu aprovar, na Câmara dos Representantes, por 269 votos a favor e 161 contra, um pacote que eleva o teto da dívida em US$ 2,1 trilhões e corta gastos em US$ 2,4 trilhões pelos próximos anos. Apenas 95 democratas foram a favor. O pacote é fundamental para evitar que os Estados Unidos entrem em moratória a partir de amanhã, porque o Tesouro não teria autorização para se endividar além do limite de US$ 14,3 trilhões, embora precisasse pagar rendimentos de seus títulos e honrar benefícios sociais. O texto deve ser votado hoje no Senado, de maioria democrata, antes de ir à sanção presidencial. Aguardando a votação que só ocorreu à noite -, os mercados globais fecharam ontem em queda. O temor em relação à economia europeia também fez com que o euro recuasse 1,03% frente ao dólar. (Págs. 1, 17 a 19, Miriam Leitão e Arnaldo Jabor)


Paul Krugman

"O acordo, considerando dados disponíveis, é um desastre, não só para Obama e seu partido. Empurrará os EUA para um padrão República de Bananas." (Págs. 1 e 17)

Denúncia contra PMDB tem resposta diferente
Jucá pede desculpas à presidente Dilma por irmão ter dito que há corrupção em ministério

Diante das denúncias de que há corrupção no Ministério da Agricultura, comandado pelo PMDB, a presidente Dilma decidiu não agir de imediato, como ocorreu com o PR no Ministério dos Transportes. Mas o PMDB terá de provar que as acusações feitas pelo irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), são apenas briga interna. O partido vai levar o ministro Wagner Rossi, que nega irregularidades na Agricultura, para se explicar na Câmara. Jucá pediu desculpas a Dilma pelas denúncias do irmão, e ela aceitou. (Págs. 1, 3, 4, Merval Pereira e editorial "O porquê de não se fazer 'varredura geral'")
Jobim: ficar no governo é um prazer
O ministro Nelson Jobim, que revelara ter votado em Serra ano passado, disse ontem que "tem prazer" em ficar no governo e elogiou a presidente Dilma. Mas ela está irritada com Jobim. A permanência dele no governo depende de uma conversa entre os dois. (Págs. 1 e 5)

STF: músicos não precisam de registro
O Supremo Tribunal Federal dispensou os músicos do registro na Ordem dos Músicos do Brasil como pré-requisito para o exercício da profissão. Os ministros decidiram com base no direito constitucional da liberdade de expressão. (Págs. 1 e 9)
União quer que Delta devolva R$ 23 milhões
A Controladoria Geral da União recomendou à direção do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) que exija da Delta, empreiteira contratada para construir a nova sede, a devolução de R$ 23,5 milhões pagos com sobrepreço e por serviços executados em duplicidade. (Págs. 1 e 16)

Síria mata 85 no Massacre do Ramadã
Diante dos olhos e da inoperância da comunidade internacional, o regime de Bashar al-Assad matou mais 85 civis no que já é conhecido como Massacre do Ramadã. A ONU tenta nova condenação, sem pedir sanções ou intervenção militar. O Brasil integrará missão ao país. (Págs. 1 e 24)
De olho no mercado verde, vinícolas brasileiras estão produzindo vinho com menos impacto ambiental (Págs. 1 e Razão Social)

Política antissuicídio
A Foxconn, empresa que produz iPhones e iPads na China, terá pelo menos um milhão de robôs nas linhas de produção nos próximos três anos. A gigante, que também já prometeu fazer iPads no Brasil, viu diversos trabalhadores se suicidarem nos últimos meses. (Págs. 1 e 23)

Salvo pelo Google
Juan Paredes, o juiz equatoriano que condenou em tempo recorde jornalista Emilio Palacio e donos do diário "El Universo" a três anos de prisão e multa de US$ 40 milhões sob acusação de caluniar o presidente Rafael Correa, copiou parte da sentença de sites da internet. Na Argentina, o também juiz Eugenio Zaffaroni, considerado um aliado importante da presidente Cristina Kirchner, é acusado de alugar apartamentos onde funcionam prostíbulos. (Págs. 1 e 25)
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Folha de S. Paulo

Manchete: Sob crítica, plano anticalote dos EUA passa na Câmara
Pacote fiscal, considerado tímido pela opinião pública, tem que ser votado hoje pelo Senado

A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou a elevação do limite da dívida do país dos atuais US$ 14,3 trilhões para US$ 15,2 trilhões.

O aumento de US$ 900 bilhões, equivalente a quase metade do PIB brasileiro, foi aprovado por 269 votos a 161 e será submetido ao Senado, onde tem que ser discutido e aprovado ainda hoje. (Págs. 1 e Mundo Al2)

Clóvis Rossi
Slogan pode ser “no, you can’t” para Obama

Acuado entre alternativas de perder ou perder, presidente capitula, mas nem assim as nuvens da tormenta deixam o mundo respirar aliviado. Agora, o slogan de Obama de 2008 pode virar "no, you can't". (Págs. 1 e Mundo A13)

Benjamin Steinbruch

Ferozes cobradores de ontem ameaçam calote hoje. (Págs. 1 e Mercado B8)

Gustavo Patu

Brasil gasta mais que EUA para pagar jura da dívida. (Págs. 1 e Mundo A13)
Foto legenda: Sufoco
Imigrantes passam diante de caixões e corpos no porto de Lampedusa (Itália); 25 morreram em porão de navio vindo da Líbia. (Págs. 1 e Mundo A14)

Cuba promete facilitar viagens para o exterior
O ditador de Cuba, Raúl Castro, disse que "flexibilizará" as rígidas regras para viagens de cubanos ao exterior, sem detalhar, porém, a medida. Hoje é preciso permissão para deixar o país.

A promessa foi feita em assembleia do Partido Comunista, que aprovou mais de 300 pontos de reformas anunciados em abril - entre elas a ampliação da iniciativa privada. (Págs. 1 e Mundo A14)
Foto legenda: Corte militar
Na TV, o presidente da Venezuela. Hugo Chávez, exibe seu corte
"militar", que fez devido à queda de cabelo causada pela quimioterapia. (Págs. 1 e Mundo A15)

Após massacre, Brasil já admite tirar apoio à Síria
Após o massacre de 140 pessoas pelo governo sírio no domingo, o Brasil admitiu apoiar resolução do Conselho de Segurança da ONU contra o país se ela for consensual entre os membros permanentes. Para o Itamaraty, os atos deram um novo dado à situação. (Págs. 1 e Mundo A14)
Japonesa Kirin paga R$ 3,95 bi pela Schincariol
A empresa japonesa Kirin comprou, por R$ 3,95 bilhões, 50,45% das ações da Schincariol, dos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol. Outra parte da família, dona do restante da cervejaria, quer anular a venda. O grupo faturou R$ 6 bilhões em 2010. (Págs. 1 e Mercado B4)
TAM usa piloto que não domina inglês em voos internacionais
A TAM descumpre normas de aviação internacional ao liberar para voos ao exterior pilotos com nível de inglês abaixo do exigido, informa Ricardo Gallo.

A empresa autoriza que eles operem o voo enquanto estiverem sobre território brasileiro, o que não é previsto na lei. A Anac diz não ver transgressão. (Págs. 1 e Cotidiano C1)
Editoriais
Leia "Sem contrapeso", sobre a relação entre o Executivo e o Congresso, e "O Brasil e a Síria", acerca da posição diante dos massacres no país. (Págs. 1 e Opinião A2)
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O Estado de S. Paulo

Manchete: Acordo nos EUA indica fragilidade e derruba bolsas
Mercado teme que o corte orçamentário previsto no acerto em Washington possa causar recessão

Os mercados concluíram que a economia dos EUA continua fraca, situação que tende a agravar-se com os cortes de despesas definidos na negociação política para elevar o teto da dívida do país. Resultado: as bolsas de valores abriram a semana com baixas em todo o mundo. Houve queda em São Paulo (0,49%), Nova York (0,09%), Frankfurt (2,86%) e Londres (0,70%). O acordo, que foi aprovado ontem na Câmara e seria votado hoje no Senado, prevê elevação do teto da dívida em US$ 2,4 trilhões (hoje são US$ 14,3 trilhões). Em troca, o governo Obama se compromete com reduções orçamentárias de até US$ 4 trilhões até 2022. O raciocínio dos investidores é que, com o corte, o governo americano tira dinheiro da economia. Além disso, há a possibilidade de rebaixamento do rating (nota de crédito) dos títulos dos EUA pelas agências de classificação de risco. (Págs. 1 e Economia B1, B3 e B4)


'Brasil está preparado'

O Brasil está preparado para um agravamento da situação econômica de países como os EUA, disse o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, destacando a reserva do País em moeda estrangeira. (Págs. 1 e Economia B4)


Artigos

Paul Krugman
Acordo é um desastre

A solução para a dívida americana será prejudicial para uma economia já fragilizada; quanto ao déficit a longo prazo, provavelmente vai piorar, não melhorar. (Págs. 1 e Economia B4)


José Paulo Kupfer
Um mundo sem 'AAA'

Um rebaixamento dos títulos do Tesouro dos EUA não significa reviravolta nas escolhas dos ativos mais seguros. Títulos "AA" podem ser os novos “AAA". (Págs. 1 e Economia B5)
Síria amplia repressão em mês sagrado
As forças do governo da Síria intensificaram a repressão à oposição no primeiro dia do Ramadã, o mês sagrado islâmico. Nos últimos dois dias, mais de cem pessoas foram mortas. Já os EUA ampliaram seus esforços para que o Conselho de Segurança da ONU aprove resolução condenando a violência do regime de Damasco. (Págs. 1 e Internacional A11)

Prefeitura de SP paga por exame não realizado
A Prefeitura de São Paulo paga à Fundação Instituto de Pesquisa e Diagnóstico, organização social ligada à Unifesp, por quantidades predeterminadas de exames, mesmo que eles não sejam realizados. O contrato está sendo auditado. (Págs. 1 e Vida A15)
Crianças e adolescentes fazem arrastões em SP (Págs. 1 e Cidades C3)

Corinthians se diz certo de que abrirá a Copa (Págs. 1 e Esportes E1)

Dora Kramer
Torcida contra

Acho que os oposicionistas torcem pelo pior, como defende o ex-presidente Lula, é supor que a inflação não doa no bolso de todos. (Págs. 1 e Nacional A6)

Notas e Informações
O acordo contra o calote

Acabou em poucas horas a comemoração do acordo para se evitar o calote do Tesouro dos EUA. (Págs. 1 e A3)
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Correio Braziliense

Manchete: Obama impede calote, mas recessão ameaça
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, obteve uma vitória parcial na tentativa de sanar a maior economia do mundo. Um acordo entre democratas e republicanos na Câmara dos Deputados elevou o limite da dívida pública em US$ 2,1 trilhões, de forma a permitir que o governo norte-americano tenha condições de honrar compromissos financeiros, como o pagamento de salário de servidores e de juros aos credores internacionais. A proposta aprovada na Câmara será votada hoje no Senado, com previsão de novas dificuldades para Obama, que enfrenta resistência até entre os colegas de partido. Além da batalha para evitar o calote, a Casa Branca tem outro grave problema: a iminente recessão. O pessimismo com uma desaceleração nos EUA se disseminou pelos mercados, que registraram uma queda generalizada nas bolsas. Em Minas, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que o Brasil está preparado para encarar a crise internacional. (Págs. 1, 10 e 11)
Fim do “eu não sabia”
Dilma exige que ministros prestem contas de todas as irregularidades cometidas ou denunciadas em suas pastas. (Págs. 1 e 2)
Esperança contra o descaso
Vyviane e Marcos ainda buscam razões para retomar a vida após a perda dos dois filhos num acidente, drama revelado pela repórter Lilian Tahan. Após sete meses de espera, um laudo que será divulgado hoje deve ajudar nas apurações sobre as causas do acidente, ocorrido em Goiás. O sofrimento do casal comoveu os leitores do Correio, que enviaram e-mails, cartas e fizeram comentários no site. (Págs. 1, 29 e Sr. Redator, 14)
Transporte: Ônibus caro pode custar empregos
Moradores do Entorno temem que o aumento das tarifas provoque a demissão de quem trabalha no DF. Os patrões chegam a gastar 61% a mais com o transporte deles. (Págs. 1 e 23)
Seca: 86 focos de incêndio num só dia
A Floresta Nacional e áreas próximas ao Aeroporto JK foram alguns dos locais atingidos ontem pelo fogo. A umidade relativa do ar caiu para 19%. (Págs. 1 e 24)
Chávez raspado
Venezuelano muda o visual

Em tratamento contra o câncer, ele garante estar eleito em 2012. (Págs. 1 e 17)
À prova de gripe
Anticorpo resiste a todos os vírus Cientistas anunciam a descoberta de célula que pode gerar vacina universal. (Págs. 1 e 19)
A batalha pelos votos do entorno
Partido de Agnelo Queiroz busca aliados para fazer frente à candidatura de Joaquim Roriz a prefeito de Luziânia. (Págs. 1 e 21)
Mais quatro áreas para os médicos
Conselho federal reconhece novas especialidades na saúde, entre elas as medicinas paliativa e tropical. (Págs. 1 e 9)
STF acaba com o registro de músicos
Supremo determina que o vínculo com a Ordem dos Músicos do Brasil não é mais obrigatório aos profissionais. (Págs. 1 e 25)
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Valor Econômico

Manchete: Plano Brasil Maior sai e desonera folha de salários
Alertada por líderes empresariais da necessidade de medidas de forte impacto na nova política industrial, a presidente Dilma decidiu, com seus ministros, garantir o corte de impostos sobre as folhas de salários em empresas que empregam muita mão de obra, como as dos setores de têxteis, calçados e móveis. Ela também anunciará hoje decreto para privilegiar fabricantes nacionais em compras de governo nos setores de Informática e Telecomunicações, Defesa e Saúde.

Ontem à noite, Dilma reuniu-se com ministros para definir os detalhes finais do "Plano Brasil Maior". A Polícia Federal será convocada a participar de um grupo formado pela Receita Federal e a Secretaria de Comércio Exterior, para combater fraudes nas importações. (Págs. 1 e A3)
Kirin compra a Schincariol por R$ 4 bi
A Kirin, tradicional fabricante japonesa de cerveja e refrigerantes, comprou 50,45% da Schincariol, segunda maior cervejaria do Brasil, por R$ 3,95 bilhões. Pela operação, fechada ontem, os japoneses compraram a parte do capital pertencente aos sócios Adriano Schincariol, presidente da companhia, e de seu irmão Alexandre Schincariol. O restante do capital (49,5%) continua sendo dos primos Gilberto e José Augusto Schincariol.

A Kirin, que faturou US$ 26,7 bilhões em 2010, interessou-se pelo negócio há quatro meses. Metade da dívida líquida da cervejaria brasileira, de R$ 1,1 bilhão, está sendo assumida pela Kirin. Adriano Schincariol deve permanecer no comanda por pelo menos um ano. (Págs. 1 e D3)
Acordo preserva os EUA de choque fiscal
O acordo para elevar o teto da dívida e reduzir o déficit orçamentário dos EUA poderia desacelerar ligeiramente o crescimento econômico do país no próximo ano, num momento em que a recuperação continua frágil. O acordo, porém, pode também elevar a confiança entre os investidores, empresas e consumidores porque elimina as incertezas e porque é um passo na direção de uma redução do déficit.

A primeira rodada de cortes de gastos será feita no ano fiscal 2012, que começa em outubro. Os gastos discricionários, que precisam de aprovação do Congresso, cairiam em US$ 25 bilhões, ou 2,1%, em relação ao valor projetado pelo CBO, órgão do Congresso que assessora os partidos em temas orçamentários. Os cortes reduziriam entre 0,1 e 0,2 ponto percentual a taxa de crescimento. O projeto de lei pede outros US $ 47 bilhões em cortes de gastos discricionários no ano fiscal de 2013, uma redução de 3,9% em relação à estimativa do CBO. (Págs. 1 e A9)

Produção industrial global perde fôlego

A produção industrial global está próxima da estagnação, confirmando que a desaceleração na economia mundial é forte e ampla. Cresce o sentimento no mercado de que o aperto fiscal nos EUA e na Europa vai travar a economia internacional por vários anos, afetando o comércio internacional, os mercados de ações, os preços de commodities industriais e mantendo as taxas de juros baixas por mais tempo do que se previa. (Págs. 1 e A8)
Foto legenda: Planejamento estratégico
O plano do grupo de publicidade Publicis para o Brasil está traçado. Maurice Lévy, CEO mundial, diz ao 'Valor': "Nossa ambição é nos tornarmos o primeiro ou segundo ator em dois ou três anos".(Págs. 1 e B6)
Asiáticos farão máquinas pesadas no país
Quatro gigantes asiáticos da indústria de máquinas pesadas de construção devem desembarcar no Brasil nos próximos dois anos e investir US$ 610 milhões na construção de fábricas no país. A necessidade de grandes investimentos em infraestrutura, mineração e habitação atraíram as sul-coreanas Hyundai e Doosan e as chinesas Sany e Xuzhou Group.

Todas já testaram o mercado com importações. As vendas de máquinas da Hyundai no Brasil, por exemplo, mais do que triplicaram em 2010 e o grupo anunciou plano de investir US$ 150 milhões em uma fábrica em Itatiaia. (Págs. 1 e B1)
Como educar o investidor?
No contexto atual de expansão econômica, renda e oferta de crédito maiores, a educação financeira se torna mais importante. O tema entrou na pauta do governo e começa a ganhar as salas de aula. Mas, alertam os especialistas, deve ser assunto também de família, para adultos e crianças. Ser um investidor bem informado e educar financeiramente os filhos são cruciais para o futuro de cada um - e do país. A ValorInveste circula hoje para assinantes e venda em bancas. (Págs. 1 e Revista)
ViaQuatro prevê receitas de R$ 540 mi por ano com metrô, diz Valença (Págs. 1 e B7)

Brasil começa a criar regulamentação para agências de rating (Pág. 1)

Países e empresas entram na era da ciberguerra (Págs. 1 e A12)

Energia sem termelétrica
A seca habitual de inverno este ano demorou mais a chegar nas áreas onde estão localizados os reservatórios de usinas hidrelétricas. Até o dia 31 de julho, não foi preciso acionar usina termelétrica. (Págs. 1 e A2)


Cautela argentina
Ao contrário do que afirmam funcionários do governo em Brasília, a Argentina vê com cautela a proposta brasileira de aumentar as tarifas de importação do Mercosul para proteger a indústria contra produtos chineses. (Págs. 1 e A3)
Campanhas salariais
Os reajustes salariais do segundo semestre não pressionarão a inflação. Esta é a avaliação da equipe econômica do governo, contestada por metalúrgicos, petroleiros e bancários, que começam a negociar aumentos nos salários. (Págs. 1 e A4)

Shopping com jardim
Redescoberto pelo mercado imobiliário, o paisagismo e começa a ser item obrigatório nos pianos de shoppings - inclusive aqueles direcionados à classe C. Nos últimos 12 meses, a Landscape dobrou o número de projetos para esses espaços. (Págs. 1 e B5)
Embaré no Sudeste
Depois de cinco décadas vendendo leite em pó sobretudo para a região Nordeste, a mineira Embaré estreou ontem um novo produto para tentar reforçar sua presença no Sudeste. (Págs. 1 e B12)

HSBC sai de crédito para veículos
O HSBC Brasil está saindo do ramo de financiamento de veículos para não clientes. O banco suspendeu a oferta de crédito em 300 concessionárias e revendas. A instituição estaria negociado a venda da carteira para o PanAmericano. (Págs. 1 e C1)

Parcerias da Cielo
A Cielo fechou parceria com a Credicard e já está aceitando em suas máquinas transações com o Diners Club International. O acordo também contempla a captura de operações com os cartões da Discover. (Págs. 1 e C7)
Ideias
Antonio Delfim Netto

O Tesouro dos Estados Unidos não enfrenta problema de solvência e muito menos de liquidez. (Págs. 1 e A2)
Ideias
Luiz Gonzaga Belluzzo

Graças a estratégias eficazes, os chineses não só crescem acima da média mundial com elevada taxa de investimento. (Págs. 1 e A11)
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Estado de Minas

Manchete: Dívida de Minas vira bomba-relógio
Se o governo federal não ceder e mantiver o indexador da dívida dos estados, Minas Gerais pode ter de pagar conta estratosférica a partir de 2028, comprometendo até 40% da sua receita líquida real. O saldo devedor, negociado em 1998, era de R$ 15 bilhões. Hoje, mesmo após o pagamento de R$ 17 bilhões, saltou para R$ 57 bilhões. O grande vilão do endividamento é a aplicação do IGP-DI (20% ao ano incluindo juros), que afeta também outros estados. Os secretários de Fazenda estão mobilizados para adoção da taxa Selic (9,5% ao ano), usada pelo governo federal. “Essa indexação transformou-se em monstro devorador dos recursos”, diz o secretário mineiro, Leonardo Colombini. (Págs. 1, 3 e Editorial, 10)
Obama junta os cacos após aprovar acordo
A Câmara dos EUA aprovou ontem o aumento do teto da dívida em US$ 2,1 trilhões. A expectativa agora é de que o Senado também aprove hoje, já que os democratas são maioria na Casa. O acordo causou alívio no país e no mundo porque evita calote. Mas tem alto preço para o presidente Barack Obama. Além do desgaste político e de ter ido a público pedir aos americanos para pressionar os congressistas por um consenso, ele terá de recuperar a economia, que patina desde a crise de 2008 e apresenta resultados cada vez mais desanimadores. Analistas avaliam que o calote foi substituído pela desaceleração da economia. (Págs. 1 e 12)
Apreensão faz bolsas fecharem no vermelho (Págs. 1 e 13)

BC não teme crise mundial
Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, diz a empresários mineiros que Brasil está preparado para turbulência financeira. (Págs. 1 e 13)
Foto legenda: Novo visual
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apareceu ontem em ato público com o cabelo raspado. Ele brincou com os efeitos do tratamento da quimioterapia a que foi submetido após remoção de tumor. (Págs. 1 e 17)
Família de engenheiro morto no Peru suspeita de envenenamento
O corpo do mineiro Mário Augusto Soares Bittencourt foi encaminhado ontem ao IML de Belo Horizonte a pedido de parentes. A suspeita da família é de que ele e o geólogo Mário Gramani Guedes tenham sido envenenados. Certidão de óbito emitida pelo consulado em Lima aponta edemas pulmonar e cerebral como causas das mortes. (Págs. 1 e 19)
Fertilizante vira droga para jovens
Anvisa decide hoje se considera o estimulante mefedrona, conhecido como Miau-Miau, uma droga ilícita ou se apenas controla venda para a agricultura. Produto tem sido usado em baladas de clubes noturnos. (Págs. 1 e 21)
Entrega de água e gás vai encarecer
Lei que entra em vigor na quinta-feira obriga motos a ter reboque para carregar os produtos. Empresas dizem que isso deve provocar reajuste de 10% ao consumidor. (Págs. 1 e 14)
Justiça
Vereadores de fronteira vão continuar na cadeia. (Págs. 1 e 5)
Arte livre: Licença para músicos deixa de ser obrigatória (Págs. 1 e 8)

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Jornal do Commercio

Manchete: Cartão clonado à venda na internet
Homem detido no Recife revelou que enviou pela rede de computadores dados subtraídos de caixa eletrônico para falsificador em Sergipe. Cada cartão enviado ao Recife custava R$ 500. (Págs. 1 e Cidades 1)
Descartado surto de superbactéria (Págs. 1 e Cidades 2)

Planos de saúde ganham batalha contra médicos (Págs. 1 e Economia 2)

Muita demora no seguro-desemprego (Págs. 1 e Economia 3)

Abreu e Lima deve trocar local de feira livre caótica (Pág. 1)

Carteira da Ordem dos Músicos perde obrigatoriedade (Pág. 1)

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Zero Hora

Manchete: Triplica devolução de armas no Estado
Desde a ampliação do número de postos de coleta, gaúchos passaram a entregar cerca de 35 revólveres, espingardas e similares por dia nas polícias do RS. (Págs. 1 e 36)
Obama respira: Câmara aprova proposta para evitar calote
Hoje, Senado americano deve ratificar texto que eleva teto da dívida. (Págs. 1 e 24)



Sem cabelo: Hugo Chávez aparece com novo visual
Presidente da Venezuela faz tratamento contra câncer. (Págs. 1 e 25)

Educação: Novo Ensino Médio prevê mais horas letivas (Págs. 1 e 26)

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Brasil Econômico

Manchete: Câmara dos EUA aprova acordo para elevar teto da dívida
Liderados pelos republicanos, deputados dão sinal verde, por 269 votos a 161, para que o presidente Barack Obama aumente em US$ 2,1 trilhões o limite de endividamento do país. Em contrapartida, o governo terá de cortar US$ 2,4 trilhões em gastos nos próximos dez anos. Votação segue agora para o Senado. (Págs. 1 e 40)
Pressão de ambientalistas faz BID abrir investigação sobre obras do Rodoanel
Enquanto o caso está sendo analisado pelo banco, dinheiro do financiamento não é liberado. Governo paulista pretende publicar decreto que permite desapropriações na Serra da Cantareira nos próximos 15 dias. (Págs. 1 e 4)

Corretoras retomam conservadorismo na indicação de renda variável para aplicações em agosto
A carteira recomendada de 14 corretoras mostra tom mais defensivo devido ao cenário mundial ainda turbulento. Ações do setor elétrico ganham espaço e Cemig empata com Petrobras em número de indicações. (Págs. 1 e 34)
Ministros de Dilma se articulam de olho nas eleições municipais de 2012
O assunto é tratado com cautela dentro do governo, mas a presidente Dilma Rousseff já deixou claro para interlocutores que aqueles que deixarem o cargo não encontrarão as portas abertas em caso de derrota nas urnas. (Págs. 1 e 10)

Bancos preparam venda de títulos imobiliários em agências para emprestar mais
Grandes bancos preparam a distribuição de investimentos lastreados em crédito imobiliário na rede de agências — caso do Bradesco, Citi e Caixa, que buscam captar recursos para ampliar empréstimos. (Págs. 1 e 30)

Jac investe R$ 900 milhões em fábrica de carros no Brasil para atender à demanda local, da Argentina e do México, diz o presidente do grupo SHC, Sérgio Habib (Págs. 1 e 26)

Gigante japonesa Kirin paga R$ 3,95 bi pelo controle do grupo Schincariol e desembarca no mercado latino-americano de bebidas para fazer frente à Ambev e Heineken (Págs. 1 e 40

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cúpula do Mercosul termina com assinatura de nove acordos


Foi aprovado cronograma para criação de placa comum de veículos. Discurso de Dilma focou necessidade de medidas para conter importações.
 

Crédito: Roberto Stuckert Filho/PR   
Dilma Rousseff durante almoço no Paraguai

A cúpula do Mercosul em Assunção, no Paraguai, terminou nesta quarta-feira (29) com a assinatura de nove acordos, entre eles um cronograma de trabalho para agilizar a produção de uma placa de veículo comum do bloco regional. O objetivo é facilitar o trânsito de cidadãos pelos quatro países-membros do grupo- Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Segundo o Itamaraty, a expectativa é iniciar os trabalhos para a “harmonização das placas automotivas” do Mercosul a partir do segundo semestre deste ano. As placas serão implementadas gradualmente pela região, sem prazo para a conclusão do projeto.

Na cúpula desta quarta foi aprovado ainda o Plano Estratégico de Ação Social do Mercosul, que estabelece políticas regionais para a redução da desigualdade social. Em seu discurso na reunião do bloco regional, a presidente Dilma Rousseff citou o programa “Brasil sem Miséria”, lançado pelo governo federal em junho, como exemplo de esforço no combate à desigualdade. Dilma destacou que o Estado deve ir atrás dos necessitados para auxiliá-los, em vez de esperar que peçam ajuda.

Hoje conseguimos detectar e dar nome e sobrenome a cada um dos mais pobres. Utilizaremos os meios mais eficientes e, ao invés do Estado brasileiro ser procurado, ele passará a procurá-los. Por isso, o Plano Estratégico de Ação Social é muito importante. Contamos com liderança do presidente do Uruguai, José Mujica, para seguirmos avançando”, disse. Nesta cúpula, a presidência rotativa do Mercosul passou do Paraguai para o Uruguai, que comandará o bloco pelos próximos seis meses.

Focem
Um outro acordo firmado entre os países-membros do bloco prevê a liberação de US$ 7,03 milhões do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) para pesquisas em biotecnologia aplicada à saúde. Os recursos viabilizarão a aquisição dos equipamentos necessários ao projeto.

O Focem é constituído por contribuições anuais dos países-membros do bloco regional, principalmente de Brasil e Argentina, maiores economias do Mercosul.

‘Mercosul industrial’
Em entrevista durante a cúpula, o secretário-executivo do Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, destacou que os Estados-membros do Mercosul definiram como prioridade do bloco incrementar a aplicação dos recursos do Focem para gerar infraestrutura e tecnologia.

Segundo ele, o objetivo é criar o “Mercosul industrial”. “Chegamos à conclusão de que é preciso criar o Mercosul industrial. Trabalhar para termos produtos de valor agregado. Para isso, Argentina e Brasil vão ajudar o Paraguai a reforçar sua infraestrutura e fortalecer o Uruguai como fornecedor de serviços”, disse.

De acordo com Teixeira, os ministros de Comércio Exterior dos países-membros do Mercosul passarão a se reunir de seis em seis meses para avaliar o andamento da meta de industrializar e modernizar a produção de bens no âmbito do bloco regional.

Importações
O secretário-executivo afirmou ainda que o bloco tentará substituir importações externas pela compra de produtos dentro do Mercosul. O objetivo é evitar a entrada na região, em excesso, de produtos vendidos por países como a China. “O que ficou claro é que o bloco precisa discutir a questão de substituir importações extra-bloco por importações intra-bloco”, disse.

O discurso da presidente Dilma Rousseff teve como foco a defesa de “mecanismos comunitários” para evitar exportações que prejudiquem os países-membros do Mercosul. “Neste momento parceiros de fora buscam vender produtos que não têm mercado nos países ricos. Precisamos desenvolver mecanismos comunitários que venham a reequilibrar a situação”, afirmou.

Segundo o Itamaraty, o Brasil propôs que os países-membros do Mercosul possam aumentar em conjunto, quando de comum acordo, as tarifas de importação de produtos de nações de fora do bloco. A medida teria o objetivo de evitar a entrada de mercadorias estrangeiras que estejam afetando negativamente a indústria interna dos países sul-americanos.

Assimetrias
Também durante a cúpula foi criado um grupo de trabalho com o objetivo de elaborar um plano estratégico para reduzir as assimetrias entre os Estados que integram o Mercosul. O objetivo é dar condições para que os países menores- Paraguai e Uruguai- possam se integrar de maneira competitiva no comércio regional.

“Precisamos de justiça entre nós. Brasil não tem culpa de ser grande. A assimetria se resolve convidando muitos outros para esse baile”, disse o presidente do Uruguai, José Mujica, em entrevista após a reunião.

A cúpula decidiu ainda adotar regras que favorecem o Paraguai no processo de livre trânsito de mercadorias e meios de transporte terrestre e fluvial nos territórios dos membros do Mercosul. As regras buscam facilitar o acesso e transporte de mercadorias do Paraguai, levando em conta que o país não tem litoral marítimo.

Outra medida dos países-membros do bloco foi estender até o final de 2011 o prazo para a conclusão dos trabalhos de revisão do Protocolo de Contratações Públicas. O instrumento terá a finalidade de estimular investimentos de empresas e fornecedores de países da região.

Educação
A cúpula do bloco em Assunção também transformou em permanente o Fundo de Financiamento do Setor Educacional do Mercosul, que previa contribuições para a área de educação dos países-membros por um período de quatro anos.

Em de junho de 2010, o Brasil contribuiu com US$ 679 mil. Os recursos serão utilizados em programas de intercâmbio de estudantes, professores e pesquisadores.

Parlamento
Os países-membros do Mercosul também aprovaram acordo para que a eleição direta dos membros do Parlamento do bloco regional seja realizada até o dia 31 de dezembro de 2014. A escolha democrática dos parlamentares foi citada pelos presidentes de Paraguai, Uruguai e Brasil como uma medida importante para a solidez do Mercosul.

domingo, 29 de maio de 2011

Batalha nos bastidores se mantém após convenção do PSDB

Com apoio da maioria, Aécio deve garantir candidatura em 2014. 

Enquanto isso, Serra terá conselho para tentar se viabilizar

Adriano Ceolin, iG Brasília, Nara Alves, enviada a Brasília | 29/05/2011 12:14

Nos bastidores, o embate entre serristas e aecistas vai continuar no PSDB apesar do acordo firmado na convenção realizada no sábado em Brasília.
O presidente tucano reeleito, Sérgio Guerra (PE), irá conduzir o partido para garantir a candidatura do senador Aécio Neves (MG) ao Palácio do Planalto em 2014.                                                                     No novo conselho político da sigla, o ex-governador José Serra (SP) terá a difícil tarefa de tentar influir em decisões como alianças, fusões e candidaturas.
Uma nova candidatura é hoje um sonho distante.
Minutos depois do término da convenção, os dois grupos já voltavam a trocar farpas e minimizar ou aumentar o resultado obtido.
“Não cedemos nada para o Serra.
Foi um balde de água fria”, disse um integrante da ala mineira e agora majoritária.
“A decisão sobre quem será candidato passará pelo conselho”, insistiu um paulista.
Diante das câmeras de TV e flashes de fotógrafos, no entanto, o objetivo principal foi demonstrar unidade.
Mesmo ciente da sua força para derrotar Serra em qualquer tipo de votação dentro do partido, Aécio não queria realizar uma convenção sem a presença do paulista.
Perderia a imagem de político conciliador.
O ex-governador de São Paulo jogou pesado e ameaçou sair do partido mais uma vez - o que ele já havia feito em fevereiro.
“Não foi uma, nem duas, mas umas 15 vezes que ele ameaçou sair”, contou um dirigente do PSDB ligado ao grupo de Aécio.

Foto: AE
O presidente do PSDB Sérgio Guerra, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e José Serra na a 10ª Convenção Nacional do partido, em Brasília (28/05)


Ameaça de racha

Duvidando da palavra do ex-governador paulista, alguns aecistas toparam pagar para ver.
Na quarta-feira, um grupo de 35 deputados fechou questão: não vamos ceder nada ao Serra.
No mesmo dia, o deputado Marcus Pestana (MG) foi visto discutindo com o deputado Jutahy Júnior (BA) no plenário da Câmara.
“Eles ameaçaram o racha”, confirmou Pestana.
Amigo de Serra há anos, Jutahy foi um dos tucanos que trabalharam para ele ocupar um cargo em que pudesse seguir na vida partidária e política.
“Serra queria o conselho político.
Mas, na primeira proposta (feita em abril passado), o conselho teria 20 membros.
O órgão seria uma ficção”, explicou Jutahy.
O Conselho Nacional Político do PSDB já era previsto no estatuto do partido, mas as reuniões só podiam ser convocadas pelo presidente da sigla.
No caso, Sérgio Guerra.
Para atender ao desejo de Serra, era preciso mudar as atribuições do conselho.
Jutahy contou que a remodelagem do órgão voltou a ser estudada na quinta-feira, em Salvador, na Bahia.     O governador de Goiás, Marconi Perillo, foi à cidade receber título de cidadão baiano e refez a proposta do conselho.
“O Marconi fez proposta.
Queríamos um órgão decisório.
Levei para o Geraldo Alckmin (governador de São Paulo) com o consentimento do Serra”, disse Jutahy.


Negociação sobre ITV

O passo seguinte era convencer o grupo aecista a mudar o estatuto da sigla durante a convenção.               Sem a garantia por escrito de como funcionaria o conselho na prática, serristas insistiam em manter o pleito pelo Instituto Teotônio Vilella (ITV).
O ex-governador paulista não queria uma função figurativa com um conselho sem funções definidas.             O ITV, porém, já havia sido oferecido ao ex-senador Tasso Jereissati (CE).
Derrotado em outubro, ele hesitou em assumir o órgão, mas acabou convencido por Aécio e Guerra.
Apesar de ser vinculado à presidência do PSDB, o ITV tem estrutura e orçamento próprios de R$ 11 milhões por ano.
Desconfiados, os mineiros achavam que Serra poderia criar um partido dentro do partido.
Além disso, seria um duro golpe contra Tasso.
Em março deste ano o próprio Serra havia rejeitado a proposta de presidir o ITV.
Na sexta-feira, as negociações voltaram a andar.
De São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Alckmin e o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) negociaram em nome de Serra.
A ala ligada a Aécio defendeu que FHC ficasse no comando do Conselho.
Ele, contudo, convenceu os mineiros que a vaga devia ficar com Serra para que o acordo fosse firmado.
Em entrevista ao Poder Online, o ex-presidente explicou como costurou o acordo.
Juntos, os três foram de avião para Brasília no sábado e dirigiram-se à casa do deputado Duarte Nogueira (SP), líder do PSDB na Câmara e fiel escudeiro de Alckmin.
Lá, por volta das 11h, o martelo foi batido com Guerra, Aécio e o governador de Minas, Antonio Anastasia.


Conselho tucano

O texto final do estatuto do partido, documento que pode ser levado a instâncias judiciais, ficou da seguinte forma:
“O Conselho Nacional Político irá colaborar com o Diretório Nacional e sua Comissão Executiva no exame e decisão de questões políticas relevantes de âmbito que lhes sejam submetidas especialmente às relativas a alianças políticas, processo de escolha de candidatos às eleições nacionais, fusão ou incorporação de partidos”.
O grupo será formado por seis membros.
Um tucano experiente observou:
“Com seis, tudo terá de ser feito por consenso.
Não haverá um a mais para desempatar”.
Para aecistas, o conselho é consultivo.
Para serristas, o órgão terá função própria.
Maioria no partido, o grupo do senador mineiro tem hoje mais condições de impor sua vontade.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Aécio busca aliança com Alckmin para isolar Serra e dirigir PSDB

17/5/2011 8:26,  Por Redação - de São Paulo
Aécio
Aécio tenta tirar o adversário José Serra do páreo para 2014
A pouco mais de dez dias da eleição para a nova direção nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves se reuniu com o governador paulista, Geraldo Alckmin, para tentar costurar um consenso na composição da cúpula partidária. Os dois se reuniram na noite passada, por cerca de meia-hora, no Palácio dos Bandeirantes.
Aécio quer a reeleição do deputado mineiro Rodrigo de Castro na secretaria-geral do PSDB e, para isso, busca o apoio de Alckmin. O posto de secretário-geral, estratégico para as articulações que definirão as eleições presidenciais de 2014, tem sido disputado nos bastidores por aliados de Aécio e do ex-governador José Serra (SP).
O PSDB escolhe o comando da sigla no dia 28, quando deve ser reconduzido o atual presidente, deputado Sérgio Guerra (PE). Aliados de Serra, no entanto, acham que Guerra é próximo ao grupo de Aécio. Para formar uma Executiva “neutra”, querem indicar um outro secretário-geral.
O nome defendido pelo grupo é o do ex-governador Alberto Goldman. Horas antes do encontro com Aécio, Alckmin sinalizou para os aliados de Serra e chegou a dizer que o seu antecessor é uma “ótima” opção para o cargo de secretário-geral.
– É um ótimo nome. Mas (a convenção nacional) está longe – desconversou o governador, que estava em um evento com Goldman.
Fusão ‘fora de hora’
Pouco antes do encontro com Aécio, Alckmin e o ex-governador José Serra comentaram o plano do senador mineiro, divulgado na edição passada do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, de criar um novo partido para disputar as eleições à Presidência em 2014.
– Não é uma ideia que está posta. É uma discussão fora de hora – criticou Serra.
O atual governador endossou o discurso de Serra.
– Eu respeito as ideias. Eu respeito o Aécio, mas é muito cedo para essa discussão – comentou Alckmin.
Outros líderes tucanos já mencionaram a fusão do PSDB com DEM e PPS como uma possibilidade a ser considerada no horizonte da oposição. São eles: o ex-senador Tasso Jereissati (CE), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (SP) e o próprio Alckmin.
– Existem propostas nesse sentido. São aspectos delicados. Acho que o mais importante é manter a coesão dos partidos. Não sei qual a tendência, se vai haver fusão ou não – afirmou FHC em abril.
Naquela mesma semana, Geraldo Alckmin disse que a fusão “pode ser muito boa”, mas que não via urgência na discussão proposta por Aécio.

domingo, 15 de maio de 2011

Eduardo Campos nega querer Presidência e reafirma apoio a Dilma em 2014

ElLEONORA DE LUCENA
ENVIADA ESPECIAL AO RECIFE

Neto do revolucionário Miguel Arraes (1916-2005), o governador Eduardo Campos (PSB-PE) tem um discurso calculado e conciliador. Aos 45 anos, preside o Partido Socialista Brasileiro, o que mais cresceu nas últimas eleições. Reeleito com 83% dos votos, ele agora está nos comerciais do partido em rede nacional.
Diz que não está em campanha para a presidência. Promete que apoiará Dilma em 2014 e afirma que não está se descolando do PT.

"Não há como descolar o que não está colado". Elogia Lula, mas lembra a todo o momento do legado de Fernando Henrique Cardoso --cujo texto sobre a oposição leu duas vezes.
Nesta entrevista ele se declara preocupado com a economia e faz uma avaliação da cena política.


Eduardo Knapp/Folhapress
Recife, PE, BRASIL, 11-05-2011, 14h35: Entrevista com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB),45,em seu gabinete no Palacio Campos da Princesa, em Recife(Foto: Eduardo Knapp/Folhapress, PODER) ***para domingo***
O governador Eduardo Campos (PSB-PE) em seu gabinete no Palácio do Campo das Princesas, em Recife

Folha - O sr é candidato à presidência em 2014?
Eduardo Campos - Não. O cenário para 2014 aponta como natural a candidatura à reeleição da presidente Dilma. Nós estamos no projeto dela. Fizemos uma aliança estratégica com o PT, mantendo nossa identidade. Nunca tivemos uma posição subserviente. Essa posição fez o PSB crescer. Fomos o partido que mais cresceu nas ultimas eleições. Não temos porque alterar esse rumo estratégico. Na política não tem fila.

Mas há a avaliação de que a sua campanha que está no ar significa um descolamento da presidente. O sr. fala em novo caminho pra o país.
Não há como descolar o que não está colado. Temos uma aliança política, mas temos identidades próprias. O Brasil foi caminhando, conquistamos a democracia, a Constituição, direito a ter regras estáveis, a estabilidade econômica, agora a causa da sustentabilidade, a responsabilidade fiscal. Há um grande consenso brasileiro sobre esses valores. O governo do PSDB ajudou com a estabilidade fiscal. O governo Lula ajudou colocando o dedo na desigualdade.
No PSB queremos ser uma opção, um caminho para governar cidades, Estados.

E a presidência?
E um dia será natural. Acredito que o dia do PSB não é em 2014.

Que avaliação o sr. faz da cena política, com a base governista inchada e a oposição em crise?
Uma coisa dialoga com a outra. A oposição foi se deslocando da pauta real e foi ficando com uma pauta muito institucional. A campanha foi das mais despolitizadas. Quando isso acontece, quem ganha sai muito fortalecido porque quem perde não deixa um pensamento.

Isso explica o movimento de Kassab e seu novo partido?
Sim, a falta de perspectiva, depois da terceira derrota consecutiva. Leva naturalmente o governo a ficar muito forte e a oposição muito fragilizada. Isso é constante? Não. Esse quadro é dinâmico.

Para onde vai isso? A oposição vai se recompor, unificar partidos?
Os grandes movimentos não vieram dos partidos políticos. Vieram da rua. A campanha das diretas, o impeachment, a vitória de Fernando Henrique Cardoso. A oposição vai precisar fazer o debate para encontrar a proposta do futuro.

No que vai resultar o PSD?
Isso se insere no processo desse conjunto em que Kassab sempre esteve. Como não tinham mais caminho estão tentando se reinserir no quadro político sem ter uma posição automática contra o governo. Na base do governo convivem forças políticas que não são diferentes das forças que estão entrando no PSD.

Uma base tão ampla e com interesses conflitantes não paralisa o governo?
Uma grande coalizão como essa, num determinado momento, corre o risco de não existir mais e a alternativa é sair da própria base. É um processo cíclico.


Eduardo Knapp/Folhapress
Recife, PE, BRASIL, 11-05-2011, 14h35: Entrevista com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB),45,em seu gabinete no Palacio Campos da Princesa, em Recife(Foto: Eduardo Knapp/Folhapress, PODER) ***para domingo***
Eduardo Campos nega que tentará disputar Presidência em 2014

Por que não houve a fusão com o PSD? Houve muita resistência interna no PSB?
Nunca trabalhamos com essa possibilidade. Podemos ter alianças na política municipal, estadual, federal.

Como avalia as saídas de Paulo Skaf e Gabriel Chalita?
Nos sentimos desafiados a continuar crescendo com quem queira ter vida partidária e desenvolver projetos coletivos. O tempo dirá quem tem razão.

O PSB é socialista? Que sentido tem esse nome?
Esse nome tem um sentido de justiça, de cuidar mais de quem mais precisa, de universalizar os serviços públicos, fazer com que o serviço público funcione.

Mas falar de socialismo hoje tem uma conotação mais bem comportada?
Claro, porque o mundo mudou, O que fica é o valor da solidariedade, da justiça, da inclusão, da dignidade, da transparência.

Seu avô, Miguel Arraes, dizia eu os seus maiores adversários eram os grandes proprietários. Quem são os seus adversários hoje?

Eu procuro mais aliados do que adversários. Na eleição se expressaram os nossos adversários. Por um processo histórico, a carga de preconceito é bem menor do que sobre o dr. Arraes. Eu não vejo nenhum segmento empresarial com preconceito, seja banco, empreiteira. Eles têm a sua lógica de buscar lucro.

Qual a possibilidade de uma aliança sua com Aécio Neves?
Sou amigo do Aécio, militamos juntos. Acho que vamos manter as alianças. Em 2012, na eleição municipal, deveremos estar em muitos palanques juntos, onde já estamos, como em Belo Horizonte.

Qual o futuro de Ciro Gomes?
Ciro é um grande quadro político. Tivemos divergências. Ele pode ser candidato a qualquer coisa no PSB. Tem talento, história, o nosso respeito.

Como economista, está preocupado com inflação, câmbio, juros?
Sim. O cenário externo é mais restritivo. A inflação precisa voltar para o centro da meta. Nada indica que o câmbio irá voltar a patamares do passado. Tudo isso passa por ajustar o juro brasileiro ao patamar do juro internacional. Isso não se faz por decreto, mas com grande esforço, inclusive fiscal.

Entre desenvolvimentistas e monetaristas com quem o sr. fica?
Acho que a verdade está pelo meio. A inflação não veio por demanda. Veio por preços administrados, por regras fixadas lá atrás. Energia elétrica, por exemplo.

Foi um erro do processo de privatização?
É um erro, uma inconsistência de uma regra. É como um procedimento para tratar um doente. Se existe uma droga melhor, não altera? Os espaços para corte cada vez são mais limitados porque a expressão do gasto em juro é cada vez maior no bolo da despesa. O país precisa expandir a capacidade de investimento.

A desindustrialização é um problema?
Não acredito que o mundo vai se dividir: a china sendo a fábrica do mundo e nós a fazenda. Precisamos agregar valor à nossa pauta. É preciso discutir juros, ICMS. Passamos a viver a esbórnia da guerra fiscal, agora até em cima do importado. O governo federal vai ter que botar a mão no bolso. A situação fiscal de muitos Estados é muito dura.

Qual a sua visão sobre a privatização?
É um assunto que está para a história. O PSB foi contra naquele tempo. A discussão hoje é a regulação do serviço hoje, sobretudo das concessionárias de serviço público, energia e telefone. Precisa ter uma regulação dura. Do mesmo jeito que eu estou aqui cumprindo um contrato dando reajuste da inflação, a concessionária não pode deixar de fazer os investimentos na qualidade dos serviços.

O governo deveria adotar controle de capitais?
O capital volátil de curto prazo não pode ser tratado da mesma forma de quem vem abrir uma fábrica, gerar emprego. Precisamos ter um padrão de tratar de forma diferente os diferentes.

Na sua visão, qual é a reforma política necessária?
Reforma política e tributária são importantes e devem ser feitas fatiadas. A pedra de toque é olhar o longo prazo. 2022, por exemplo. E fazer um pacto para fazer uma reforma de como se financia o Estado e de como o Estado se organiza.

O que o sr. achou do texto de FHC?
É a primeira formulação da oposição para tentar construir um caminho. Se ele conseguiu só o tempo vai dizer Li o texto duas vezes. Para estar na vida pública é preciso ter uma estratégia, sem pensamento. Se não, vira negócio de eleição de liga de dominó.

Na sua vida política qual foi o momento mais tenso? O escândalo dos precatórios?
Foi. Ficou maturidade. Aprendi a não prejulgar os outros e a não ter ressentimento. Não guardei mágoa. Naquele episódio meus adversários me fizeram o que eu sou hoje. Eles me preparam para eu vencer.

Há dificuldade para um político baseado no Nordeste conquistar a Presidência?
Na verdade, tem. É claro que é mais difícil um político do interior de PE se eleger governador do que um político da capital. Isso vale também para alguém do NE se eleger no Brasil. Pela expressão eleitoral. A tendência é essas questões regionais sejam superadas no debate político. Ainda pode haver preconceito por caricaturas que se fazem do que é NE, como se fosse uma grande fazenda cheia de oligarquias.

Qual o legado de Arraes?
Coerência, coragem, proximidade do povo. É muito forte.

Qual o melhor presidente da história do Brasil?
Lula.


Eduardo Knapp/Folhapress
Recife, PE, BRASIL, 11-05-2011, 14h35: Entrevista com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB),45,em seu gabinete no Palacio Campos da Princesa, em Recife(Foto: Eduardo Knapp/Folhapress, PODER) ***para domingo***

sábado, 23 de abril de 2011

Lula avisa que Dilma Rousseff 'será a candidata do PT em 2014'

Redação SRZD | Nacional | 22/04/2011 12h44
Foto: DivulgaçãoO ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que a presidente Dilma Rousseff será a candidata do PT à Presidência da República em 2014.

A afirmação foi feita em entrevista publicada pelo jornal "ABCD Maior", nesta quinta-feira.

"Não tem como esconder, embora ela não possa, e nem deva falar, mas Dilma será a candidata do PT em 2014. Dilma vai mudar a cara do Brasil para muito melhor", destacou Lula. "Ela vai lançar o programa de combate à miséria absoluta, em que fará um pente fino para descobrir quais são os pobres que ainda não foram atendidos (pela gestão dele)", completou.

O jornal "ABCD Maior" é ligado ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde o ex-presidente começou sua carreira política. Esta foi a primeira entrevista exclusiva dele para um jornal brasileiro desde que deixou o cargo.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Marechal Lott, Jânio Quadros e as eleições de 2010

ALAI, América Latina en Movimiento

2010-07-12

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Brasil

O Marechal Lott, Jânio Quadros e as eleições de 2010

Laerte Braga

Henrique Dufles Baptista Teixeira Lott foi um dos grandes vultos das forças armadas brasileiras. Entre outras coisas não se subordinava a Washington como boa parte dos nossos militares e tampouco tinha aversão ao processo democrático, pelo contrário. Impediu em 11 de novembro de 1955 um golpe dos “patriotas” contra a legalidade.
 
Ministro da Guerra, era como se chamava o Ministério do Exército, hoje abrigado como Secretaria dentro do Ministério da Defesa, evitou duas tentativas de golpe contra o governo de JK e acabou candidato da coligação PSD/PTB à presidência da República em 1960.
 
 Disputou as eleições contra Jânio Quadros, ex-governador de São Paulo e um terceiro candidato, Ademar de Barros, uma espécie de Paulo Maluf da pré-história, também ex-governador de São Paulo.
 
Perdeu-as. Jânio foi eleito presidente até por larga maioria de votos.
 
 Lott não tinha boa oratória, as campanhas àquela época se sustentavam principalmente em comícios e aliado a esse fato, boa oratória, Lott tinha a mania da franqueza. Da honestidade em suas palavras. Em suas propostas.
 
Jânio era um produto da demagogia, mero projeto pessoal de ditador (renunciou numa manobra tragicômica esperando que o povo o reconduzisse ao governo com plenos poderes, tudo sob efeito da “mardita pinga). Candidato da UDN sem nunca ter sido udenista e de Carlos Lacerda, a quem usou até espremer e terminar espremido, não era necessariamente louco como diziam. Demagogo, de interromper comícios para tomar uma injeção de glicose (vivia bêbado) alegando que o cansaço na “luta pelo povo” o obrigava a “sacrifícios” que prejudicavam sua saúde.
 
 Tinha o hábito de assistir filmes de western ao contrário, ou seja, do fim para o princípio. Achava interessante o bandido levantar-se e tomar um soco de John Wayne do que a ordem natural da cena, tomar o soco e cair.
 
O marechal Lott passou a campanha inteira advertindo aos brasileiros que Jânio levaria o País ao caos. Num dado momento, talvez consciente das dificuldades para sua eleição (tradicionalmente militares foram sempre derrotados em eleições livres para presidente, a exceção de Dutra, mesmo assim porque disputou com outro militar, o brigadeiro Eduardo Gomes), chegou a propor um pacto de unidade nacional em torno de uma candidatura única, no caso o general Juracy Magalhães, governador da Bahia e que havia sido derrotado por Jânio na convenção da UDN.
 
Para que se possa ter uma idéia da personalidade do marechal Lott, em visita a uma cidade no interior de Minas, descia num automóvel para o centro da cidade, saindo do aeroporto, quando um eleitor de Jânio enfiou uma vassoura dentro do carro, pela janela e tentou atingi-lo. Mandou o carro parar e em meio a lotistas de um lado e janistas de outro, foi até o cidadão, tomou-lhe a vassoura, jogou-a no chão e disse com o dedo em riste –“o senhor pode votar em quem quiser, é um direito que eu assegurei quando garanti a posse do presidente Juscelino, mas o senhor respeite a mim e a democracia, proceda como homem de caráter” -.
 
Voltou ao automóvel sob aplausos de seus correligionários e silêncio dos janistas que, por sinal, perdeu, Jânio, as eleições nessa cidade.
 
Em muitas cidades que visitava, pouco antes de subir ao palanque, Jânio dirigia-se a um botequim estrategicamente escolhido, pedia um sanduíche de pão com mortadela, alegava falta de tempo para jantar, uma pinga e uma cerveja quente, assentava-se à mesa com alguém que lá estivesse, chegou a assentar-se no meio fio e com gestos teatrais ia comendo, bebendo e conversando com as pessoas.
 
Já ex-presidente, escreveu com Afonso Arinos (que redimiu-se depois, era um homem inteligente e um político íntegro) uma enciclopédia da língua portuguesa. No lançamento no Rio de Janeiro, em 1967, almoçava no Clube Ginástico, no centro da cidade, presentes o próprio Arinos (fora seu ministro das Relações Exteriores), outras figuras do antigo udenismo, quando surpreendeu a todos, inclusive jornalistas, com seu pedido. Uma omelete simples, uma pinga especial e uma cerveja quente.
 
A surpresa maior veio depois. Foi recortando a omelete até dar-lhe a forma de uma suástica e sequer engoliu uma garfada. O que sobrou amassou com as mãos, formou um bolo e colocou fora do prato. Bebeu a pinga, duas ou três cervejas quentes e foi-se.
 
Segundo Foucault, “não há exclusão entre loucura e crime, mas sim uma implicação que os une. O indivíduo pode ser um pouco mais insano, ou um pouco mais criminoso, mas até o fim a loucura mais extremada será assombrada pela maldade”.
 
Referia-se, embora seja um conceito amplo, a Doucelin, conde D’Albuterree, que avocava a si a condição de herdeiro da coroa de Castela e que dizia falar com Deus todos os dias, além de receber a visita de Maria algumas vezes por semana.
 
O problema é que Jânio não rasgava nota de cem, pelo contrário, cultivou a fama de honesto e implacável na defesa do dinheiro público, enquanto ia guardando o “seu” em bancos suíços.
 
As advertências do marechal Lott se confirmaram e foram além. Com a renúncia de Jânio, em 25 de agosto de 1961, depois de ter proibido desfile de miss com biquíni, briga de galo e imposto o slack como uniforme para os servidores públicos, militares brasileiros comandados por Washington se levantaram contra a posse do vice, João Goulart que se encontrava em missão na China, a pedido de Jânio. Queria-o longe à hora do “golpe” e uma das primeiras prisões feitas foi a do marechal Lott que logo se pronunciou pela legalidade. Jânio mandara Jango à China exatamente por ser aquele país governado pelo Partido Comunista, Mao Tse Tung e Chou em Lai e assim criar um complicador maior para uma eventual posse de Jango tornando mais fácil seu retorno triunfal.
 
Jango acabou tomando posse, foi decisiva a reação de Brizola, mas os mesmos militares golpistas, complementando o que Lott dissera em 1960, deram um golpe em 1964 e impuseram ao Brasil uma sombria e cruel ditadura sob controle dos EUA. Inclusive comando militar de general norte-americano.
 
Outra vez, um ano após o golpe, impediram a candidatura do marechal ao governo do antigo estado da Guanabara, temerosos que sua liderança acabasse por despertar a reação popular e de militares íntegros e brasileiros à quartelada. Como Lott fosse eleitor em Teresópolis, criaram a figura do domicílio eleitoral.
 
José Arruda Serra é uma versão abstêmia de Jânio Quadros. O que às vezes costuma ser pior. Quando secretário de Franco Montoro tinha mania de dar batida nos órgãos públicos do governo do estado de São Paulo para verificar se estava havendo desperdício de clips, elásticos e aparas de papel.
 
Jânio, quando candidato a prefeito de São Paulo pela primeira vez chegou a colocar um boné de motorneiro e tentar dirigir um bonde. Nesse dia estava numa água só. E dava incertas (mas avisava a imprensa) em repartições públicas.
 
O curioso é que morto politicamente Jânio foi ressuscitado por FHC, em 1985, derrotando-o numa eleição para a mesma prefeitura de São Paulo. No dia da posse pendurou um par de chuteiras à entrada de seu gabinete para comunicar que estava encerrando sua vida pública.
 
A insistência com que setores das forças armadas brasileiras tentam a todo custo impedir que os documentos da ditadura venham à tona é simples. Não pode passar pela cabeça de um torturador como o coronel Brilhante Ulstra, que os brasileiros tomem conhecimento de tortura, assassinatos, estupros praticados em prisões da ditadura por “bravos patriotas”. Uma laia de canalhas sintetizada na frase de Samuel Johnson sobre patriotismo.
 
E tampouco de velhos generais que encobriram esses crimes, tanto quanto promoveram um expurgo nas forças armadas, afastando militares do porte de Rui Moreira Lima, Ladário Pereira Teles, major Cerveira e outros. Foram milhares.
 
Voltando à vaca fria José Arruda Serra é só uma versão abstêmia de Jânio Quadros. Demagogo, corrupto, sem qualquer escrúpulo ou respeito pelo que quer que seja. É evidente que sendo abstêmio, ou seja o oposto, tenha manias do tipo desinfetar as mãos com álcool ao fim de uma sessão de cumprimento a eleitores, como não se assenta ao meio fio e nem come sanduíche de mortadela. Mas usa o tal desinfetante bucal que protege por doze horas já que em campanha tem que beijar crianças.
 
Vale-se da sofisticação que as campanhas políticas ganharam nos dias atuais e que permite a demagogos, corruptos e trapaceiros como ele Arruda Serra vender um peixe que não existe.
 
 
 
É a velha alma udenista/golpista assombrando o Brasil (e olha que na UDN, creio que por equívoco, havia figuras como Afonso Arinos, Adauto Lúcio Cardoso, Milton Campos e outros, de caráter e integridade indiscutíveis).
 
A simples hipótese de um sujeito como Arruda Serra presidente da República (está cada dia mais difícil, mas todo cuidado é pouco) aterroriza.
 
É só olhar o governo de FHC e multiplicar por um fator que podemos chamar de muitas vezes pior e teremos o resultado.
 
Pior ainda que um bêbado como Jânio, projeto mambembe de ditador, é um abstêmio doentio e sem escrúpulos como Arruda Serra.
 
Tucanos são a UDN repetida como farsa e por isso mesmo, revestidos de cinismo, amoralidade, se tornam muito mais nocivos e perigosos que a de outrora, se é que isso é possível.
 
No fundo seria um passo gigantesco atrás. Um retrocesso sem tamanho.
 
Lott continua tendo razão absoluta sobre os “jânios” que volta e meia aparecem.
 
Reside aí a grandeza do velho marechal. O ser brasileiro, ter tido em toda a sua vida compromisso com a democracia sem adjetivos.
 
Ao contrário de seu antigo adversário Jânio Quadros, que levou o País ao caos e da versão seca, José Arruda Serra, que intenta o mesmo, o caos.
 
A solução é simples. Ou percebemos isso, ou nos lascamos.
 
E não adianta a GLOBO, VEJA, ou FOLHA DE SÃO PAULO culpar o Irã, Chávez, fabricar pesquisas o que seja. José Arruda Serra não é um candidato a presidente do Brasil. É uma ameaça ao Brasil e aos brasileiros.
 
E para não dizer que não falei de flores, nas eleições de 1960 as organizações GLOBO se limitavam ao jornal THE GLOBE, editado em português como O GLOBO, algumas emissoras de rádio e a família Marinho, dona do complexo da mentira, apoiou Jânio Quadros. Roberto Marinho ainda era o “comandante”.
 
Quem disse que o marechal Lott não tem a ver com as eleições de 2010?
 
A História não morreu não, está mais que viva.  
 
E a propósito de bêbados, nem todos são Jânio, ou como dizia o poeta Sílvio Machado, “nunca vi uma boa idéia nascer em leiteria”. Por isso mesmo Arruda Serra é uma versão Drácula da barbárie patriótica udenista.


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Quem sou eu

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Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.