segunda-feira, 29 de março de 2010

Saída de Ciro vira problema para Lula


Folha Online/EG

Alessandra de Souza

Além de embalar a pré-candidatura de Dilma Rousseff (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem outra tarefa. No caso, bem mais espinhosa: como convencer Ciro Gomes, pré-candidato do PSB, a sair do páreo.

Apesar da pesquisa da Datafolha que mostrou crescimento do virtual candidato do PSDB, o governador José Serra (SP), Lula mantém a avaliação de que convém ao governo patrocinar uma disputa plebiscitária contra os tucanos. Nesse contexto, seria melhor retirar a candidatura de Ciro, deputado federal pelo Ceará.

O problema é que as relações entre Ciro e o PT pioraram nas últimas semanas. A versão de que Lula faz uma maldade com o aliado do PSB, tirando-lhe todo o gás político, parece que arranhou um pouco a boa relação pessoal entre os dois. Ciro estaria magoado, segundo interlocutores dele e de Lula.

A hipótese de Ciro ser vice de Dilma virou pó. O deputado federal fustiga todo dia o PMDB, partido ao qual está prometida a vice e legenda que não tem por ele apreço a ponto de renunciar a uma posição tal vital.

Após adiamentos, Lula deverá, sim, ter aquela conversa olho no olho com Ciro. O novo prazo agora é a segunda quinzena de abril.

Na última pesquisa Datafolha, Ciro ficou estacionado em relação ao levantamento anterior, assim como Dilma. Serra subiu quatro pontos e obteve 36%. Dilma oscilou negativamente um ponto percentual (27%). Ciro também, 11%. E a senador Marina Silva (PV-AC) manteve seus 8%.

Senadora patina

Desde a pesquisa Datafolha realizada entre 14 e 18 de dezembro, Marina continua com o mesmo percentual. Já realizou uma bateria de programas populares de TV e fez viagens pelo país. É verdade que sua exposição na mídia é baixa na comparação com as de Serra e Dilma.

Mas seu discurso é muito genérico. Para fugir do carimbo ambiental, faz propostas que soam semelhantes às de Serra e Dilma, patrocinados por máquinas políticas mais poderosas. É preciso inovar para sair da condição de mera coadjuvante.

Para ser uma sensação eleitoral, cairia bem terminar essa disputa na casa dos 15 pontos. Menos do que isso, garantirá um lugar de apoiadora de relevo no segundo turno. Hoje, esse apoio estaria mais para Serra do que para Dilma.

domingo, 21 de março de 2010

PSDB prepara uma festa de 2 mil pessoas para Serra


Sérgio Lima/Folha



Será em Brasília, no dia 10 de abril, um sábado, a pré-convenção em que o PSDB vai aclamar José Serra como seu candidato à sucessão de Lula.



Alugou-se um auditório no centro da Capital. Dispõe de cadeiras para 1.500 pessoas. Somando-se os que ficam em pé, acomoda uma platéia de 2.000.



Se vingarem os planos do tucanato, a proclamação da candidatura Serra será uma pajelança de casa cheia.



Reunirá, além da nata tucana, liderenças dos aliados já disponíveis: DEM e PPS. Deseja-se, além de ungir o candidato, passar a idéia de unidade.



O governador tucano de Minas, Aécio Neves, que programara sair em férias, adiou o descanso. E confirmou sua presença.



Aécio declara-se um “soldado” a serviço de Serra. Algo que o tucanato, grupo de amigos composto integralmente de inimigos, celebra.



Parte-se do pressuposto de que as relações Serra-Aécio, se mal administradas, podem custar a eleição. O passado desrecomenda o atrito.



O PSDB descera às urnas de 2002 (Serra) e de 2006 (Alckmin) trincado. Nas duas ocasiões, foi surrado por Lula.



Imagina-se que, reincidindo no erro, a principal legenda da oposição flertará, de novo, com o insucesso.



Servindo-se de outra lição extraída do passado, o PSDB decidiu reservar na pajelança pró-Serra um papel de destaque também para Fernando Henrique Cardoso.



Elabora-se, no momento, a lista de políticos com direito a microfone. Diz-se que a prerrogativa será concedida a poucos na “festa” do dia 10.



De antemão, Serra, Aécio e FHC frequentam a relação na condição de oradores naturais e compusórios.



Para fugir ao improviso, a direção do PSDB vai contratar, até a próxima terça (23), uma empresa especializada na organização de eventos.



A conta será espetada no fundo partidário. A legenda escora a decisão numa resolução do TSE.



O tribunal autorizou os partidos a usarem o fundo fornido com verbas públicas para o custeio de despesas de pré-campanha.



Decidiu-se, de resto, transmitir o evento, ao vivo, pela internet. Por que esperar até o dia 10 se José Serra deixará o governo de São Paulo no dia 2?



O PSDB alega-se que o adiamento foi, por assim dizer, imposto pela folhinha. Entre a saída de Serra do governo e a festa haverá a Semana Santa. Daí a postergação.



Depois que levar o nome de Serra à estrada, restará à oposição encontrar um discurso para rechear a carroceria da candidatura.

Escrito por Josias de Souza às 07h20

sábado, 20 de março de 2010

Serra diz pela primeira vez que é candidato à Presidência

Terra

O governador de São Paulo, José Serra, disse em entrevista a um programa de TV nesta sexta-feira que é o candidato do PSDB à Presidência da República, de acordo com a assessoria de imprensa de Serra.

É a primeira vez que Serra se apresenta como candidato. O anúncio oficial da candidatura do tucano está previsto para 10 de abril em Brasília.

Antes disso, Serra precisa se desincompatibilizar do cargo de governador, cujo prazo limite é 3 de abril.

Há expectativa de que ele se afaste de suas funções no executivo um dia antes.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Em dia de Ibope aguado, Serra ouve Águas de Março

José Serra pendurou no microblog, na noite passada, a seguinte nota: “Neste 17 de março, Elis Regina faria 65 anos...”



“...Aqui, a interpretação mais que perfeita de Águas de Março”. Ele remete para o vídeo. Começa assim:



“É pau, é pedra, é o fim do caminho/É um resto de toco, é um pouco sozinho/É um caco de vidro, é a vida, é o sol/É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol...”



Mais cedo, a web fora inundada pelos números do Ibope. Puxada pela correnteza Lula, Dilma Rousseff já respinga sua viabilidade na nuca do rival.



“É madeira de vento, tombo da ribanceira/É o mistério profundo, é o queira ou não queira/É o vento ventando, é o fim da ladeira...”



De 17%, Dilma ascendeu à casa dos 30%. De 38%, Serra escorregou para 35%.



“É o pé, é o chão, é a marcha estradeira/Passarinho na mão, pedra de atiradeira/É uma ave no céu, é uma ave no chão...”



De passagem por São Paulo, Nárcio Rodrigues, o presidente do PSDB-MG, entregou a Serra uma mensagem de Aécio Neves: conte com Minas.



"É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã/É um belo horizonte, é uma febre terçã...”



Em viagem aos Estados do Sul, Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, tenta ajeitar os palanques. Preve-se para 4 de abril a saída do quase-candidato do armário.



“Pau, pedra, fim, caminho/Resto, toco, pouco, sozinho/Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol...”



No pano de fundo da campanha, uma atmosfera de borrasca. Nos céus de São Paulo, um prenúncio de estiagem.



“São as águas de março fechando o verão/É a promessa de vida no teu coração”.



O barulhinho que você ouve ao fundo não é o som da chuva. É o ruído do Tom Jobim se revirando no túmulo.



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Escrito por Josias de Souza às 06h00

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ibope: Serra, 35%, ‘ainda’ na frente de Dilma, 30%


Reuters



Antes de expor os dados, convém ambientar a cena. Recorra-se a uma imagem, digamos, molhada: noite de tempestade.



Ventania. Começa mansa. Intensifica-se. Fica forte. Muito forte. Fortíssima. De manhã, cedinho, o sujeito vai à janela.



Percebe que a rua está meio desarrumada. Tinha saído de sua pachorra. Decide conferir o quintal.



No caminho até a soleira, avista um rombo no teto da sala. As lufadas haviam sorvido algumas telhas. O tapete ensopado.



Lá fora, um imenso galho de ipê só não caíra de todo porque parou num fio de alta tensão que sai do poste da rua. Pende sobre o alpendre.



Aparece um vizinho. Eu avisei, diz. Mesmo antes da tempestade, a árvore já era uma ameaça. Estava na hora de tomar providência.



Pois bem, José Serra atravessa um roteiro semelhante. Uma ventania lhe sacode o sonho presidencial.



Mais que vergado, o “ex-poste” Dilma Rousseff se despeja, ameaçador, sobre sua candidatura. A vizinhança cobrava providências há meses.



Porém, dono de “nervos de aço”, Serra dera de ombros. E Dilma, empurrada por Lula, foi se achegando.



Segundo o último Ibope, divulgado nesta quarta (17), a diferença estreitou-se para cinco pontos percentuais. Ela com 30%. Ele, 35%.



Em novembro do ano passado, Serra tinha 38%. Dilma, 17%. Em fevereiro passado, ele amealhara 36%. Ela, 25%. Agora, 35% a 30%.



E agora, José? "Não comento pesquisa”, diz Serra. “Nem quando estou disparado nem quando não estou disparado".



"Pesquisa, até outubro ou novembro, eu nunca vou comentar". Então, tá!



- Serviço: Pressionando aqui, você chega à íntegra do relatório da pesquisa Ibope, feita por encomenda da CNI.

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Escrito por Josias de Souza às 17h27

terça-feira, 16 de março de 2010

Serra bate Lula e Dilma na gincana de inaugurações




Fotos: Milton Michida e Sérgio Lima
José Serra, o quase-presidenciável do PSDB, promoveu neste ano eleitoral de 2010 mais inaugurações do que Lula e Dilma Rousseff, a candidata do PT.



Considerando-se todo o pacote administrativo-eleitoral (inaugurações, lançamentos de projetos, visitas a indústriais e vistorias em obras), Serra foi a 32 eventos desde 1º de janeiro –um a cada dois dias.



No mesmo período, Lula e Dilma deram as caras em 27 atividades do gênero –uma a cada dois dias e meio. Somando-se a entrega de um hospital estadual, no Rio, à qual compareceu sozinha, Dilma vai a 28.



Computando-se apenas as inaugurações, Serra conserva a dianteira. Compareceu a 27 cerimônias. Lula e Dilma foram a 21. Incluindo-se o hospital carioca, Dilma soma 22.



Embora prevaleça nos números, Serra perde no tamanho da vitrine. O governador desfila sua quase-candidatura em São Paulo. Lula leva a candidatura de Dilma para passear em diferentes Estados.



Os dois lados qualificam as solenidades como atos estritamente administrativos. Mas a comparação com 2009 desmonta a pantomima.



Num cotejo com o mesmo período do ano passado, Serra participara de dez inaugurações. Lula, fora apenas a sete.



A fúria com que descerram-se as placas e cortam-se as fitas encontra explicação no calendário eleitoral.



Serra e Dilma terão de trocar as cadeiras de governador e de ministra pelos palanques até 3 de abril.



De resto, reza a lei que, a partir do dia 6 de julho, nenhum candidato a cargo eletivo poderá tomar parte de inaugurações.



Descontado o fato de que, no gogó, Lula é mais efusivo do que Serra, o governador tucano também se serve das solenidades oficiais para exaltar os próprios “feitos”.



A eloquência verbal de Lula e a indefectível presença de Dilma nos eventos federais levaram a oposição a protocolar nove representações no TSE.



PSDB, DEM e PPS acusam a candidata oficial e o cabo-eleitoral dela de fazer campanha eleitoral antecipada. Algo que a lei proíbe.



Até aqui, a tese não prosperou nos julgamentos. Para o Tribunal Superior Eleitoral, o presidente e sua preferida não ultrapassaram, por ora, a fronteira que separa o legal do ilegal.



A aferição das estatísticas pode levar o petismo a dizer que, tomada pela movimentação de Serra, a oposição reclama, por assim dizer, de barriga cheia.



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Escrito por Josias de Souza às 05h46

domingo, 14 de março de 2010

Pesquisa anota empate, com Dilma à frente de Serra



O repórter Lauro Jardim levou à coluna Radar uma trinca de notas cujo teor pode trincar o já combalido ânimo da oposição. Confira abaixo:





- Na frente? 1: De acordo com informações já do conhecimento do partido, o PSDB saiu-se mal em uma pesquisa nacional de intenção de voto a ser divulgada na quarta-feira. Ela mostra um empate técnico de José Serra e Dilma Rousseff, mas com a petista 1 ponto porcentual à frente. A pesquisa foi feita entre 5 e 10 de março com 2 002 pessoas em 142 municípios.



- Na frente? 2: Outra pesquisa, desta vez encomendada pelo PT, foi levada ao Planalto na sexta-feira. Deu pela primeira vez Dilma Rousseff 3 pontos à frente de José Serra.



- O rei dos palanques está aflito: Aos mais próximos, Lula tem reclamado da (falta de) desenvoltura de Dilma Rousseff nos palanques. Avalia que os seus discursos são longos e sem emoção.





Presidente do tucanato, Sérgio Guerra levou ao seu microblog um comentário: “O PSDB desconhece qualquer resultado antecipado de pesquisas”, escreveu.



“Nossos monitoramentos indicam que José Serra continua liderando essa corrida”.



A sondagem que está prestes a vir à luz foi feita pelo Ibope. Resta agora aguardar pela quarta-feira.



O último levantamento, feito pelo Datafolha, acomodara Dilma nos calcanhares de Serra –quatro pontos percentuais a separavam do tucano.



A eventual ultrapassagem, ainda que em quadro de empate técnico, converterá a apreensão dos oposicionistas em pânico.



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Escrito por Josias de Souza às 02h38

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Quem sou eu

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Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.