quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cúpula do Mercosul termina com assinatura de nove acordos


Foi aprovado cronograma para criação de placa comum de veículos. Discurso de Dilma focou necessidade de medidas para conter importações.
 

Crédito: Roberto Stuckert Filho/PR   
Dilma Rousseff durante almoço no Paraguai

A cúpula do Mercosul em Assunção, no Paraguai, terminou nesta quarta-feira (29) com a assinatura de nove acordos, entre eles um cronograma de trabalho para agilizar a produção de uma placa de veículo comum do bloco regional. O objetivo é facilitar o trânsito de cidadãos pelos quatro países-membros do grupo- Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Segundo o Itamaraty, a expectativa é iniciar os trabalhos para a “harmonização das placas automotivas” do Mercosul a partir do segundo semestre deste ano. As placas serão implementadas gradualmente pela região, sem prazo para a conclusão do projeto.

Na cúpula desta quarta foi aprovado ainda o Plano Estratégico de Ação Social do Mercosul, que estabelece políticas regionais para a redução da desigualdade social. Em seu discurso na reunião do bloco regional, a presidente Dilma Rousseff citou o programa “Brasil sem Miséria”, lançado pelo governo federal em junho, como exemplo de esforço no combate à desigualdade. Dilma destacou que o Estado deve ir atrás dos necessitados para auxiliá-los, em vez de esperar que peçam ajuda.

Hoje conseguimos detectar e dar nome e sobrenome a cada um dos mais pobres. Utilizaremos os meios mais eficientes e, ao invés do Estado brasileiro ser procurado, ele passará a procurá-los. Por isso, o Plano Estratégico de Ação Social é muito importante. Contamos com liderança do presidente do Uruguai, José Mujica, para seguirmos avançando”, disse. Nesta cúpula, a presidência rotativa do Mercosul passou do Paraguai para o Uruguai, que comandará o bloco pelos próximos seis meses.

Focem
Um outro acordo firmado entre os países-membros do bloco prevê a liberação de US$ 7,03 milhões do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) para pesquisas em biotecnologia aplicada à saúde. Os recursos viabilizarão a aquisição dos equipamentos necessários ao projeto.

O Focem é constituído por contribuições anuais dos países-membros do bloco regional, principalmente de Brasil e Argentina, maiores economias do Mercosul.

‘Mercosul industrial’
Em entrevista durante a cúpula, o secretário-executivo do Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, destacou que os Estados-membros do Mercosul definiram como prioridade do bloco incrementar a aplicação dos recursos do Focem para gerar infraestrutura e tecnologia.

Segundo ele, o objetivo é criar o “Mercosul industrial”. “Chegamos à conclusão de que é preciso criar o Mercosul industrial. Trabalhar para termos produtos de valor agregado. Para isso, Argentina e Brasil vão ajudar o Paraguai a reforçar sua infraestrutura e fortalecer o Uruguai como fornecedor de serviços”, disse.

De acordo com Teixeira, os ministros de Comércio Exterior dos países-membros do Mercosul passarão a se reunir de seis em seis meses para avaliar o andamento da meta de industrializar e modernizar a produção de bens no âmbito do bloco regional.

Importações
O secretário-executivo afirmou ainda que o bloco tentará substituir importações externas pela compra de produtos dentro do Mercosul. O objetivo é evitar a entrada na região, em excesso, de produtos vendidos por países como a China. “O que ficou claro é que o bloco precisa discutir a questão de substituir importações extra-bloco por importações intra-bloco”, disse.

O discurso da presidente Dilma Rousseff teve como foco a defesa de “mecanismos comunitários” para evitar exportações que prejudiquem os países-membros do Mercosul. “Neste momento parceiros de fora buscam vender produtos que não têm mercado nos países ricos. Precisamos desenvolver mecanismos comunitários que venham a reequilibrar a situação”, afirmou.

Segundo o Itamaraty, o Brasil propôs que os países-membros do Mercosul possam aumentar em conjunto, quando de comum acordo, as tarifas de importação de produtos de nações de fora do bloco. A medida teria o objetivo de evitar a entrada de mercadorias estrangeiras que estejam afetando negativamente a indústria interna dos países sul-americanos.

Assimetrias
Também durante a cúpula foi criado um grupo de trabalho com o objetivo de elaborar um plano estratégico para reduzir as assimetrias entre os Estados que integram o Mercosul. O objetivo é dar condições para que os países menores- Paraguai e Uruguai- possam se integrar de maneira competitiva no comércio regional.

“Precisamos de justiça entre nós. Brasil não tem culpa de ser grande. A assimetria se resolve convidando muitos outros para esse baile”, disse o presidente do Uruguai, José Mujica, em entrevista após a reunião.

A cúpula decidiu ainda adotar regras que favorecem o Paraguai no processo de livre trânsito de mercadorias e meios de transporte terrestre e fluvial nos territórios dos membros do Mercosul. As regras buscam facilitar o acesso e transporte de mercadorias do Paraguai, levando em conta que o país não tem litoral marítimo.

Outra medida dos países-membros do bloco foi estender até o final de 2011 o prazo para a conclusão dos trabalhos de revisão do Protocolo de Contratações Públicas. O instrumento terá a finalidade de estimular investimentos de empresas e fornecedores de países da região.

Educação
A cúpula do bloco em Assunção também transformou em permanente o Fundo de Financiamento do Setor Educacional do Mercosul, que previa contribuições para a área de educação dos países-membros por um período de quatro anos.

Em de junho de 2010, o Brasil contribuiu com US$ 679 mil. Os recursos serão utilizados em programas de intercâmbio de estudantes, professores e pesquisadores.

Parlamento
Os países-membros do Mercosul também aprovaram acordo para que a eleição direta dos membros do Parlamento do bloco regional seja realizada até o dia 31 de dezembro de 2014. A escolha democrática dos parlamentares foi citada pelos presidentes de Paraguai, Uruguai e Brasil como uma medida importante para a solidez do Mercosul.

domingo, 29 de maio de 2011

Batalha nos bastidores se mantém após convenção do PSDB

Com apoio da maioria, Aécio deve garantir candidatura em 2014. 

Enquanto isso, Serra terá conselho para tentar se viabilizar

Adriano Ceolin, iG Brasília, Nara Alves, enviada a Brasília | 29/05/2011 12:14

Nos bastidores, o embate entre serristas e aecistas vai continuar no PSDB apesar do acordo firmado na convenção realizada no sábado em Brasília.
O presidente tucano reeleito, Sérgio Guerra (PE), irá conduzir o partido para garantir a candidatura do senador Aécio Neves (MG) ao Palácio do Planalto em 2014.                                                                     No novo conselho político da sigla, o ex-governador José Serra (SP) terá a difícil tarefa de tentar influir em decisões como alianças, fusões e candidaturas.
Uma nova candidatura é hoje um sonho distante.
Minutos depois do término da convenção, os dois grupos já voltavam a trocar farpas e minimizar ou aumentar o resultado obtido.
“Não cedemos nada para o Serra.
Foi um balde de água fria”, disse um integrante da ala mineira e agora majoritária.
“A decisão sobre quem será candidato passará pelo conselho”, insistiu um paulista.
Diante das câmeras de TV e flashes de fotógrafos, no entanto, o objetivo principal foi demonstrar unidade.
Mesmo ciente da sua força para derrotar Serra em qualquer tipo de votação dentro do partido, Aécio não queria realizar uma convenção sem a presença do paulista.
Perderia a imagem de político conciliador.
O ex-governador de São Paulo jogou pesado e ameaçou sair do partido mais uma vez - o que ele já havia feito em fevereiro.
“Não foi uma, nem duas, mas umas 15 vezes que ele ameaçou sair”, contou um dirigente do PSDB ligado ao grupo de Aécio.

Foto: AE
O presidente do PSDB Sérgio Guerra, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e José Serra na a 10ª Convenção Nacional do partido, em Brasília (28/05)


Ameaça de racha

Duvidando da palavra do ex-governador paulista, alguns aecistas toparam pagar para ver.
Na quarta-feira, um grupo de 35 deputados fechou questão: não vamos ceder nada ao Serra.
No mesmo dia, o deputado Marcus Pestana (MG) foi visto discutindo com o deputado Jutahy Júnior (BA) no plenário da Câmara.
“Eles ameaçaram o racha”, confirmou Pestana.
Amigo de Serra há anos, Jutahy foi um dos tucanos que trabalharam para ele ocupar um cargo em que pudesse seguir na vida partidária e política.
“Serra queria o conselho político.
Mas, na primeira proposta (feita em abril passado), o conselho teria 20 membros.
O órgão seria uma ficção”, explicou Jutahy.
O Conselho Nacional Político do PSDB já era previsto no estatuto do partido, mas as reuniões só podiam ser convocadas pelo presidente da sigla.
No caso, Sérgio Guerra.
Para atender ao desejo de Serra, era preciso mudar as atribuições do conselho.
Jutahy contou que a remodelagem do órgão voltou a ser estudada na quinta-feira, em Salvador, na Bahia.     O governador de Goiás, Marconi Perillo, foi à cidade receber título de cidadão baiano e refez a proposta do conselho.
“O Marconi fez proposta.
Queríamos um órgão decisório.
Levei para o Geraldo Alckmin (governador de São Paulo) com o consentimento do Serra”, disse Jutahy.


Negociação sobre ITV

O passo seguinte era convencer o grupo aecista a mudar o estatuto da sigla durante a convenção.               Sem a garantia por escrito de como funcionaria o conselho na prática, serristas insistiam em manter o pleito pelo Instituto Teotônio Vilella (ITV).
O ex-governador paulista não queria uma função figurativa com um conselho sem funções definidas.             O ITV, porém, já havia sido oferecido ao ex-senador Tasso Jereissati (CE).
Derrotado em outubro, ele hesitou em assumir o órgão, mas acabou convencido por Aécio e Guerra.
Apesar de ser vinculado à presidência do PSDB, o ITV tem estrutura e orçamento próprios de R$ 11 milhões por ano.
Desconfiados, os mineiros achavam que Serra poderia criar um partido dentro do partido.
Além disso, seria um duro golpe contra Tasso.
Em março deste ano o próprio Serra havia rejeitado a proposta de presidir o ITV.
Na sexta-feira, as negociações voltaram a andar.
De São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Alckmin e o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) negociaram em nome de Serra.
A ala ligada a Aécio defendeu que FHC ficasse no comando do Conselho.
Ele, contudo, convenceu os mineiros que a vaga devia ficar com Serra para que o acordo fosse firmado.
Em entrevista ao Poder Online, o ex-presidente explicou como costurou o acordo.
Juntos, os três foram de avião para Brasília no sábado e dirigiram-se à casa do deputado Duarte Nogueira (SP), líder do PSDB na Câmara e fiel escudeiro de Alckmin.
Lá, por volta das 11h, o martelo foi batido com Guerra, Aécio e o governador de Minas, Antonio Anastasia.


Conselho tucano

O texto final do estatuto do partido, documento que pode ser levado a instâncias judiciais, ficou da seguinte forma:
“O Conselho Nacional Político irá colaborar com o Diretório Nacional e sua Comissão Executiva no exame e decisão de questões políticas relevantes de âmbito que lhes sejam submetidas especialmente às relativas a alianças políticas, processo de escolha de candidatos às eleições nacionais, fusão ou incorporação de partidos”.
O grupo será formado por seis membros.
Um tucano experiente observou:
“Com seis, tudo terá de ser feito por consenso.
Não haverá um a mais para desempatar”.
Para aecistas, o conselho é consultivo.
Para serristas, o órgão terá função própria.
Maioria no partido, o grupo do senador mineiro tem hoje mais condições de impor sua vontade.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Aécio busca aliança com Alckmin para isolar Serra e dirigir PSDB

17/5/2011 8:26,  Por Redação - de São Paulo
Aécio
Aécio tenta tirar o adversário José Serra do páreo para 2014
A pouco mais de dez dias da eleição para a nova direção nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves se reuniu com o governador paulista, Geraldo Alckmin, para tentar costurar um consenso na composição da cúpula partidária. Os dois se reuniram na noite passada, por cerca de meia-hora, no Palácio dos Bandeirantes.
Aécio quer a reeleição do deputado mineiro Rodrigo de Castro na secretaria-geral do PSDB e, para isso, busca o apoio de Alckmin. O posto de secretário-geral, estratégico para as articulações que definirão as eleições presidenciais de 2014, tem sido disputado nos bastidores por aliados de Aécio e do ex-governador José Serra (SP).
O PSDB escolhe o comando da sigla no dia 28, quando deve ser reconduzido o atual presidente, deputado Sérgio Guerra (PE). Aliados de Serra, no entanto, acham que Guerra é próximo ao grupo de Aécio. Para formar uma Executiva “neutra”, querem indicar um outro secretário-geral.
O nome defendido pelo grupo é o do ex-governador Alberto Goldman. Horas antes do encontro com Aécio, Alckmin sinalizou para os aliados de Serra e chegou a dizer que o seu antecessor é uma “ótima” opção para o cargo de secretário-geral.
– É um ótimo nome. Mas (a convenção nacional) está longe – desconversou o governador, que estava em um evento com Goldman.
Fusão ‘fora de hora’
Pouco antes do encontro com Aécio, Alckmin e o ex-governador José Serra comentaram o plano do senador mineiro, divulgado na edição passada do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, de criar um novo partido para disputar as eleições à Presidência em 2014.
– Não é uma ideia que está posta. É uma discussão fora de hora – criticou Serra.
O atual governador endossou o discurso de Serra.
– Eu respeito as ideias. Eu respeito o Aécio, mas é muito cedo para essa discussão – comentou Alckmin.
Outros líderes tucanos já mencionaram a fusão do PSDB com DEM e PPS como uma possibilidade a ser considerada no horizonte da oposição. São eles: o ex-senador Tasso Jereissati (CE), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (SP) e o próprio Alckmin.
– Existem propostas nesse sentido. São aspectos delicados. Acho que o mais importante é manter a coesão dos partidos. Não sei qual a tendência, se vai haver fusão ou não – afirmou FHC em abril.
Naquela mesma semana, Geraldo Alckmin disse que a fusão “pode ser muito boa”, mas que não via urgência na discussão proposta por Aécio.

domingo, 15 de maio de 2011

Eduardo Campos nega querer Presidência e reafirma apoio a Dilma em 2014

ElLEONORA DE LUCENA
ENVIADA ESPECIAL AO RECIFE

Neto do revolucionário Miguel Arraes (1916-2005), o governador Eduardo Campos (PSB-PE) tem um discurso calculado e conciliador. Aos 45 anos, preside o Partido Socialista Brasileiro, o que mais cresceu nas últimas eleições. Reeleito com 83% dos votos, ele agora está nos comerciais do partido em rede nacional.
Diz que não está em campanha para a presidência. Promete que apoiará Dilma em 2014 e afirma que não está se descolando do PT.

"Não há como descolar o que não está colado". Elogia Lula, mas lembra a todo o momento do legado de Fernando Henrique Cardoso --cujo texto sobre a oposição leu duas vezes.
Nesta entrevista ele se declara preocupado com a economia e faz uma avaliação da cena política.


Eduardo Knapp/Folhapress
Recife, PE, BRASIL, 11-05-2011, 14h35: Entrevista com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB),45,em seu gabinete no Palacio Campos da Princesa, em Recife(Foto: Eduardo Knapp/Folhapress, PODER) ***para domingo***
O governador Eduardo Campos (PSB-PE) em seu gabinete no Palácio do Campo das Princesas, em Recife

Folha - O sr é candidato à presidência em 2014?
Eduardo Campos - Não. O cenário para 2014 aponta como natural a candidatura à reeleição da presidente Dilma. Nós estamos no projeto dela. Fizemos uma aliança estratégica com o PT, mantendo nossa identidade. Nunca tivemos uma posição subserviente. Essa posição fez o PSB crescer. Fomos o partido que mais cresceu nas ultimas eleições. Não temos porque alterar esse rumo estratégico. Na política não tem fila.

Mas há a avaliação de que a sua campanha que está no ar significa um descolamento da presidente. O sr. fala em novo caminho pra o país.
Não há como descolar o que não está colado. Temos uma aliança política, mas temos identidades próprias. O Brasil foi caminhando, conquistamos a democracia, a Constituição, direito a ter regras estáveis, a estabilidade econômica, agora a causa da sustentabilidade, a responsabilidade fiscal. Há um grande consenso brasileiro sobre esses valores. O governo do PSDB ajudou com a estabilidade fiscal. O governo Lula ajudou colocando o dedo na desigualdade.
No PSB queremos ser uma opção, um caminho para governar cidades, Estados.

E a presidência?
E um dia será natural. Acredito que o dia do PSB não é em 2014.

Que avaliação o sr. faz da cena política, com a base governista inchada e a oposição em crise?
Uma coisa dialoga com a outra. A oposição foi se deslocando da pauta real e foi ficando com uma pauta muito institucional. A campanha foi das mais despolitizadas. Quando isso acontece, quem ganha sai muito fortalecido porque quem perde não deixa um pensamento.

Isso explica o movimento de Kassab e seu novo partido?
Sim, a falta de perspectiva, depois da terceira derrota consecutiva. Leva naturalmente o governo a ficar muito forte e a oposição muito fragilizada. Isso é constante? Não. Esse quadro é dinâmico.

Para onde vai isso? A oposição vai se recompor, unificar partidos?
Os grandes movimentos não vieram dos partidos políticos. Vieram da rua. A campanha das diretas, o impeachment, a vitória de Fernando Henrique Cardoso. A oposição vai precisar fazer o debate para encontrar a proposta do futuro.

No que vai resultar o PSD?
Isso se insere no processo desse conjunto em que Kassab sempre esteve. Como não tinham mais caminho estão tentando se reinserir no quadro político sem ter uma posição automática contra o governo. Na base do governo convivem forças políticas que não são diferentes das forças que estão entrando no PSD.

Uma base tão ampla e com interesses conflitantes não paralisa o governo?
Uma grande coalizão como essa, num determinado momento, corre o risco de não existir mais e a alternativa é sair da própria base. É um processo cíclico.


Eduardo Knapp/Folhapress
Recife, PE, BRASIL, 11-05-2011, 14h35: Entrevista com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB),45,em seu gabinete no Palacio Campos da Princesa, em Recife(Foto: Eduardo Knapp/Folhapress, PODER) ***para domingo***
Eduardo Campos nega que tentará disputar Presidência em 2014

Por que não houve a fusão com o PSD? Houve muita resistência interna no PSB?
Nunca trabalhamos com essa possibilidade. Podemos ter alianças na política municipal, estadual, federal.

Como avalia as saídas de Paulo Skaf e Gabriel Chalita?
Nos sentimos desafiados a continuar crescendo com quem queira ter vida partidária e desenvolver projetos coletivos. O tempo dirá quem tem razão.

O PSB é socialista? Que sentido tem esse nome?
Esse nome tem um sentido de justiça, de cuidar mais de quem mais precisa, de universalizar os serviços públicos, fazer com que o serviço público funcione.

Mas falar de socialismo hoje tem uma conotação mais bem comportada?
Claro, porque o mundo mudou, O que fica é o valor da solidariedade, da justiça, da inclusão, da dignidade, da transparência.

Seu avô, Miguel Arraes, dizia eu os seus maiores adversários eram os grandes proprietários. Quem são os seus adversários hoje?

Eu procuro mais aliados do que adversários. Na eleição se expressaram os nossos adversários. Por um processo histórico, a carga de preconceito é bem menor do que sobre o dr. Arraes. Eu não vejo nenhum segmento empresarial com preconceito, seja banco, empreiteira. Eles têm a sua lógica de buscar lucro.

Qual a possibilidade de uma aliança sua com Aécio Neves?
Sou amigo do Aécio, militamos juntos. Acho que vamos manter as alianças. Em 2012, na eleição municipal, deveremos estar em muitos palanques juntos, onde já estamos, como em Belo Horizonte.

Qual o futuro de Ciro Gomes?
Ciro é um grande quadro político. Tivemos divergências. Ele pode ser candidato a qualquer coisa no PSB. Tem talento, história, o nosso respeito.

Como economista, está preocupado com inflação, câmbio, juros?
Sim. O cenário externo é mais restritivo. A inflação precisa voltar para o centro da meta. Nada indica que o câmbio irá voltar a patamares do passado. Tudo isso passa por ajustar o juro brasileiro ao patamar do juro internacional. Isso não se faz por decreto, mas com grande esforço, inclusive fiscal.

Entre desenvolvimentistas e monetaristas com quem o sr. fica?
Acho que a verdade está pelo meio. A inflação não veio por demanda. Veio por preços administrados, por regras fixadas lá atrás. Energia elétrica, por exemplo.

Foi um erro do processo de privatização?
É um erro, uma inconsistência de uma regra. É como um procedimento para tratar um doente. Se existe uma droga melhor, não altera? Os espaços para corte cada vez são mais limitados porque a expressão do gasto em juro é cada vez maior no bolo da despesa. O país precisa expandir a capacidade de investimento.

A desindustrialização é um problema?
Não acredito que o mundo vai se dividir: a china sendo a fábrica do mundo e nós a fazenda. Precisamos agregar valor à nossa pauta. É preciso discutir juros, ICMS. Passamos a viver a esbórnia da guerra fiscal, agora até em cima do importado. O governo federal vai ter que botar a mão no bolso. A situação fiscal de muitos Estados é muito dura.

Qual a sua visão sobre a privatização?
É um assunto que está para a história. O PSB foi contra naquele tempo. A discussão hoje é a regulação do serviço hoje, sobretudo das concessionárias de serviço público, energia e telefone. Precisa ter uma regulação dura. Do mesmo jeito que eu estou aqui cumprindo um contrato dando reajuste da inflação, a concessionária não pode deixar de fazer os investimentos na qualidade dos serviços.

O governo deveria adotar controle de capitais?
O capital volátil de curto prazo não pode ser tratado da mesma forma de quem vem abrir uma fábrica, gerar emprego. Precisamos ter um padrão de tratar de forma diferente os diferentes.

Na sua visão, qual é a reforma política necessária?
Reforma política e tributária são importantes e devem ser feitas fatiadas. A pedra de toque é olhar o longo prazo. 2022, por exemplo. E fazer um pacto para fazer uma reforma de como se financia o Estado e de como o Estado se organiza.

O que o sr. achou do texto de FHC?
É a primeira formulação da oposição para tentar construir um caminho. Se ele conseguiu só o tempo vai dizer Li o texto duas vezes. Para estar na vida pública é preciso ter uma estratégia, sem pensamento. Se não, vira negócio de eleição de liga de dominó.

Na sua vida política qual foi o momento mais tenso? O escândalo dos precatórios?
Foi. Ficou maturidade. Aprendi a não prejulgar os outros e a não ter ressentimento. Não guardei mágoa. Naquele episódio meus adversários me fizeram o que eu sou hoje. Eles me preparam para eu vencer.

Há dificuldade para um político baseado no Nordeste conquistar a Presidência?
Na verdade, tem. É claro que é mais difícil um político do interior de PE se eleger governador do que um político da capital. Isso vale também para alguém do NE se eleger no Brasil. Pela expressão eleitoral. A tendência é essas questões regionais sejam superadas no debate político. Ainda pode haver preconceito por caricaturas que se fazem do que é NE, como se fosse uma grande fazenda cheia de oligarquias.

Qual o legado de Arraes?
Coerência, coragem, proximidade do povo. É muito forte.

Qual o melhor presidente da história do Brasil?
Lula.


Eduardo Knapp/Folhapress
Recife, PE, BRASIL, 11-05-2011, 14h35: Entrevista com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB),45,em seu gabinete no Palacio Campos da Princesa, em Recife(Foto: Eduardo Knapp/Folhapress, PODER) ***para domingo***

sábado, 23 de abril de 2011

Lula avisa que Dilma Rousseff 'será a candidata do PT em 2014'

Redação SRZD | Nacional | 22/04/2011 12h44
Foto: DivulgaçãoO ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que a presidente Dilma Rousseff será a candidata do PT à Presidência da República em 2014.

A afirmação foi feita em entrevista publicada pelo jornal "ABCD Maior", nesta quinta-feira.

"Não tem como esconder, embora ela não possa, e nem deva falar, mas Dilma será a candidata do PT em 2014. Dilma vai mudar a cara do Brasil para muito melhor", destacou Lula. "Ela vai lançar o programa de combate à miséria absoluta, em que fará um pente fino para descobrir quais são os pobres que ainda não foram atendidos (pela gestão dele)", completou.

O jornal "ABCD Maior" é ligado ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde o ex-presidente começou sua carreira política. Esta foi a primeira entrevista exclusiva dele para um jornal brasileiro desde que deixou o cargo.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Marechal Lott, Jânio Quadros e as eleições de 2010

ALAI, América Latina en Movimiento

2010-07-12

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Brasil

O Marechal Lott, Jânio Quadros e as eleições de 2010

Laerte Braga

Henrique Dufles Baptista Teixeira Lott foi um dos grandes vultos das forças armadas brasileiras. Entre outras coisas não se subordinava a Washington como boa parte dos nossos militares e tampouco tinha aversão ao processo democrático, pelo contrário. Impediu em 11 de novembro de 1955 um golpe dos “patriotas” contra a legalidade.
 
Ministro da Guerra, era como se chamava o Ministério do Exército, hoje abrigado como Secretaria dentro do Ministério da Defesa, evitou duas tentativas de golpe contra o governo de JK e acabou candidato da coligação PSD/PTB à presidência da República em 1960.
 
 Disputou as eleições contra Jânio Quadros, ex-governador de São Paulo e um terceiro candidato, Ademar de Barros, uma espécie de Paulo Maluf da pré-história, também ex-governador de São Paulo.
 
Perdeu-as. Jânio foi eleito presidente até por larga maioria de votos.
 
 Lott não tinha boa oratória, as campanhas àquela época se sustentavam principalmente em comícios e aliado a esse fato, boa oratória, Lott tinha a mania da franqueza. Da honestidade em suas palavras. Em suas propostas.
 
Jânio era um produto da demagogia, mero projeto pessoal de ditador (renunciou numa manobra tragicômica esperando que o povo o reconduzisse ao governo com plenos poderes, tudo sob efeito da “mardita pinga). Candidato da UDN sem nunca ter sido udenista e de Carlos Lacerda, a quem usou até espremer e terminar espremido, não era necessariamente louco como diziam. Demagogo, de interromper comícios para tomar uma injeção de glicose (vivia bêbado) alegando que o cansaço na “luta pelo povo” o obrigava a “sacrifícios” que prejudicavam sua saúde.
 
 Tinha o hábito de assistir filmes de western ao contrário, ou seja, do fim para o princípio. Achava interessante o bandido levantar-se e tomar um soco de John Wayne do que a ordem natural da cena, tomar o soco e cair.
 
O marechal Lott passou a campanha inteira advertindo aos brasileiros que Jânio levaria o País ao caos. Num dado momento, talvez consciente das dificuldades para sua eleição (tradicionalmente militares foram sempre derrotados em eleições livres para presidente, a exceção de Dutra, mesmo assim porque disputou com outro militar, o brigadeiro Eduardo Gomes), chegou a propor um pacto de unidade nacional em torno de uma candidatura única, no caso o general Juracy Magalhães, governador da Bahia e que havia sido derrotado por Jânio na convenção da UDN.
 
Para que se possa ter uma idéia da personalidade do marechal Lott, em visita a uma cidade no interior de Minas, descia num automóvel para o centro da cidade, saindo do aeroporto, quando um eleitor de Jânio enfiou uma vassoura dentro do carro, pela janela e tentou atingi-lo. Mandou o carro parar e em meio a lotistas de um lado e janistas de outro, foi até o cidadão, tomou-lhe a vassoura, jogou-a no chão e disse com o dedo em riste –“o senhor pode votar em quem quiser, é um direito que eu assegurei quando garanti a posse do presidente Juscelino, mas o senhor respeite a mim e a democracia, proceda como homem de caráter” -.
 
Voltou ao automóvel sob aplausos de seus correligionários e silêncio dos janistas que, por sinal, perdeu, Jânio, as eleições nessa cidade.
 
Em muitas cidades que visitava, pouco antes de subir ao palanque, Jânio dirigia-se a um botequim estrategicamente escolhido, pedia um sanduíche de pão com mortadela, alegava falta de tempo para jantar, uma pinga e uma cerveja quente, assentava-se à mesa com alguém que lá estivesse, chegou a assentar-se no meio fio e com gestos teatrais ia comendo, bebendo e conversando com as pessoas.
 
Já ex-presidente, escreveu com Afonso Arinos (que redimiu-se depois, era um homem inteligente e um político íntegro) uma enciclopédia da língua portuguesa. No lançamento no Rio de Janeiro, em 1967, almoçava no Clube Ginástico, no centro da cidade, presentes o próprio Arinos (fora seu ministro das Relações Exteriores), outras figuras do antigo udenismo, quando surpreendeu a todos, inclusive jornalistas, com seu pedido. Uma omelete simples, uma pinga especial e uma cerveja quente.
 
A surpresa maior veio depois. Foi recortando a omelete até dar-lhe a forma de uma suástica e sequer engoliu uma garfada. O que sobrou amassou com as mãos, formou um bolo e colocou fora do prato. Bebeu a pinga, duas ou três cervejas quentes e foi-se.
 
Segundo Foucault, “não há exclusão entre loucura e crime, mas sim uma implicação que os une. O indivíduo pode ser um pouco mais insano, ou um pouco mais criminoso, mas até o fim a loucura mais extremada será assombrada pela maldade”.
 
Referia-se, embora seja um conceito amplo, a Doucelin, conde D’Albuterree, que avocava a si a condição de herdeiro da coroa de Castela e que dizia falar com Deus todos os dias, além de receber a visita de Maria algumas vezes por semana.
 
O problema é que Jânio não rasgava nota de cem, pelo contrário, cultivou a fama de honesto e implacável na defesa do dinheiro público, enquanto ia guardando o “seu” em bancos suíços.
 
As advertências do marechal Lott se confirmaram e foram além. Com a renúncia de Jânio, em 25 de agosto de 1961, depois de ter proibido desfile de miss com biquíni, briga de galo e imposto o slack como uniforme para os servidores públicos, militares brasileiros comandados por Washington se levantaram contra a posse do vice, João Goulart que se encontrava em missão na China, a pedido de Jânio. Queria-o longe à hora do “golpe” e uma das primeiras prisões feitas foi a do marechal Lott que logo se pronunciou pela legalidade. Jânio mandara Jango à China exatamente por ser aquele país governado pelo Partido Comunista, Mao Tse Tung e Chou em Lai e assim criar um complicador maior para uma eventual posse de Jango tornando mais fácil seu retorno triunfal.
 
Jango acabou tomando posse, foi decisiva a reação de Brizola, mas os mesmos militares golpistas, complementando o que Lott dissera em 1960, deram um golpe em 1964 e impuseram ao Brasil uma sombria e cruel ditadura sob controle dos EUA. Inclusive comando militar de general norte-americano.
 
Outra vez, um ano após o golpe, impediram a candidatura do marechal ao governo do antigo estado da Guanabara, temerosos que sua liderança acabasse por despertar a reação popular e de militares íntegros e brasileiros à quartelada. Como Lott fosse eleitor em Teresópolis, criaram a figura do domicílio eleitoral.
 
José Arruda Serra é uma versão abstêmia de Jânio Quadros. O que às vezes costuma ser pior. Quando secretário de Franco Montoro tinha mania de dar batida nos órgãos públicos do governo do estado de São Paulo para verificar se estava havendo desperdício de clips, elásticos e aparas de papel.
 
Jânio, quando candidato a prefeito de São Paulo pela primeira vez chegou a colocar um boné de motorneiro e tentar dirigir um bonde. Nesse dia estava numa água só. E dava incertas (mas avisava a imprensa) em repartições públicas.
 
O curioso é que morto politicamente Jânio foi ressuscitado por FHC, em 1985, derrotando-o numa eleição para a mesma prefeitura de São Paulo. No dia da posse pendurou um par de chuteiras à entrada de seu gabinete para comunicar que estava encerrando sua vida pública.
 
A insistência com que setores das forças armadas brasileiras tentam a todo custo impedir que os documentos da ditadura venham à tona é simples. Não pode passar pela cabeça de um torturador como o coronel Brilhante Ulstra, que os brasileiros tomem conhecimento de tortura, assassinatos, estupros praticados em prisões da ditadura por “bravos patriotas”. Uma laia de canalhas sintetizada na frase de Samuel Johnson sobre patriotismo.
 
E tampouco de velhos generais que encobriram esses crimes, tanto quanto promoveram um expurgo nas forças armadas, afastando militares do porte de Rui Moreira Lima, Ladário Pereira Teles, major Cerveira e outros. Foram milhares.
 
Voltando à vaca fria José Arruda Serra é só uma versão abstêmia de Jânio Quadros. Demagogo, corrupto, sem qualquer escrúpulo ou respeito pelo que quer que seja. É evidente que sendo abstêmio, ou seja o oposto, tenha manias do tipo desinfetar as mãos com álcool ao fim de uma sessão de cumprimento a eleitores, como não se assenta ao meio fio e nem come sanduíche de mortadela. Mas usa o tal desinfetante bucal que protege por doze horas já que em campanha tem que beijar crianças.
 
Vale-se da sofisticação que as campanhas políticas ganharam nos dias atuais e que permite a demagogos, corruptos e trapaceiros como ele Arruda Serra vender um peixe que não existe.
 
 
 
É a velha alma udenista/golpista assombrando o Brasil (e olha que na UDN, creio que por equívoco, havia figuras como Afonso Arinos, Adauto Lúcio Cardoso, Milton Campos e outros, de caráter e integridade indiscutíveis).
 
A simples hipótese de um sujeito como Arruda Serra presidente da República (está cada dia mais difícil, mas todo cuidado é pouco) aterroriza.
 
É só olhar o governo de FHC e multiplicar por um fator que podemos chamar de muitas vezes pior e teremos o resultado.
 
Pior ainda que um bêbado como Jânio, projeto mambembe de ditador, é um abstêmio doentio e sem escrúpulos como Arruda Serra.
 
Tucanos são a UDN repetida como farsa e por isso mesmo, revestidos de cinismo, amoralidade, se tornam muito mais nocivos e perigosos que a de outrora, se é que isso é possível.
 
No fundo seria um passo gigantesco atrás. Um retrocesso sem tamanho.
 
Lott continua tendo razão absoluta sobre os “jânios” que volta e meia aparecem.
 
Reside aí a grandeza do velho marechal. O ser brasileiro, ter tido em toda a sua vida compromisso com a democracia sem adjetivos.
 
Ao contrário de seu antigo adversário Jânio Quadros, que levou o País ao caos e da versão seca, José Arruda Serra, que intenta o mesmo, o caos.
 
A solução é simples. Ou percebemos isso, ou nos lascamos.
 
E não adianta a GLOBO, VEJA, ou FOLHA DE SÃO PAULO culpar o Irã, Chávez, fabricar pesquisas o que seja. José Arruda Serra não é um candidato a presidente do Brasil. É uma ameaça ao Brasil e aos brasileiros.
 
E para não dizer que não falei de flores, nas eleições de 1960 as organizações GLOBO se limitavam ao jornal THE GLOBE, editado em português como O GLOBO, algumas emissoras de rádio e a família Marinho, dona do complexo da mentira, apoiou Jânio Quadros. Roberto Marinho ainda era o “comandante”.
 
Quem disse que o marechal Lott não tem a ver com as eleições de 2010?
 
A História não morreu não, está mais que viva.  
 
E a propósito de bêbados, nem todos são Jânio, ou como dizia o poeta Sílvio Machado, “nunca vi uma boa idéia nascer em leiteria”. Por isso mesmo Arruda Serra é uma versão Drácula da barbárie patriótica udenista.


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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Nome de Aécio para a Presidência causa nova reações

Reprodução de texto de José Dirceu por Narcio Rodrigues é criticada por partidários de José Serra


RENATO COBUCCI
SERRA AÉCIO NEVES
Aécio Neves e José Serra já vivem disputa pela pré-candidatura à Presidência na eleição 2014
A “tropa de choque” do senador Aécio Neves (PSDB) voltou na terça-feira (25) a defender o nome do mineiro para a disputa pela Presidência da República em 2014.

A defesa foi motivada após as críticas do correligionário de José Serra e dirigente do PSDB paulista, Raul Christiano, contra o presidente estadual da legenda e secretário de Ciência e Tecnologia de Minas, Narcio Rodrigues.

Via Twitter, Rodrigues usou um texto do petista José Dirceu, que coloca Aécio como a “bola da vez” no ninho tucano. Insatisfeito com o ato, Christiano afirmou que o dirigente mineiro está “dando eco” para Dirceu.

O petista aponta em seu texto que Aécio Neves está “com tudo pronto para tomar o PSDB”. Segundo ele, um grupo já articula para impedir que José Serra assuma a presidência do partido, e consequentemente, mantenha a chamada “hegemonia paulista”.

Depois desta etapa, Aécio se colocaria como candidato tucano a presidente da República. Por fim, Dirceu aponta que até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defensor antigo de Serra, já teria concordado que agora é a vez do tucano mineiro participar da disputa.

Depois da publicação, paulistas e mineiros trocaram farpas publicamente. Narcio Rodrigues afirmou que até os petistas reconhecem a força de Aécio. Minutos depois, Raul Christiano rebateu e disse que não acreditava que tucanos poderiam dar atenção ao texto. “Todos nós queremos Aécio Neves forte e mobilizador, sem dispersões. Fala de Dirceu é provocação, aposta na divisão do PSDB”.

O tema acabou repercutindo dentro do PSDB. Cotado para ser o líder da minoria na Câmara, o deputado federal Paulo Abi-Ackel disse que a discussão sobre o nome do PSDB em 2014 deve ocorrer em alto nível. Porém, Abi-Ackel reforçou a posição defendida por José Dirceu e reproduzida por Narcio Rodrigues. “A discussão é natural e pontual, principalmente no início de uma legislatura e um pós campanha traumático. Mas, todos sabemos do papel que temos que desempenhar para consolidar o nome de Aécio Neves”.

Ele ainda reforçou que a mobilização vai além de Minas Gerais. “Já recebemos manifestações de todos os cantos, inclusive de São Paulo. Hoje, temos uma impressão e certamente no futuro teremos a constatação que ele (Aécio) é o mais importante nome para 2014. Vamos trabalhar pra isso”.

Na mesma linha, o deputado Eduardo Azeredo aproveitou para pedir uma discussão equilibrada e sem rancores no PSDB.

“São os dois maiores estados do Brasil e temos de crescer juntos. Essa briga não leva a lugar nenhum”. Ele defendeu ainda a abordagem objetiva do tema.

“O assunto não pode ser tratado somente em termos regionais. Mineiros e paulistas precisam ser ouvidos”.

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Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.