terça-feira, 30 de setembro de 2008

A sucessão municipal antes da presidencial (Helio Fernandes)

PSDB, PT-PT, PMDB: Lula elegerá um poste vago?

Só se fala na eleição de 2010. Opções várias, todas imaginárias ou ainda fora da realidade. A oposição "alimenta" a ilusão do terceiro mandato para o presidente Lula, este inteiramente longe disso. Se é que alguma vez esteve mesmo perto. O PMDB já decidiu seu FUTURO, será o mesmo do PRESENTE, baseado no PASSADO. Quer a vice e nada mais.

O PSDB se julga o mais poderoso de todos, só que ainda não resolveu a crise de 2008, mas já enfrenta a crise de 2010. Quer dizer: a crise de agora pode (e irá) aumentar a crise do depois. E tudo ainda depende do Congresso manter ou não manter o direito à REEELEIÇÃO.

Existem no Congresso vários projetos sobre reeeleição. Mantendo, acabando, aumentando o mandato, mas para uma vez, única e final. Se a reeeleição ficar proibida, o PSDB (que ainda não percebeu) pode ser o vitorioso. Motivo? Em 2010 pode juntar Serra e Aécio na mesma chave. Serra estará com 68 anos, Aécio com 50.

Assim, o governador de São Paulo se fortaleceria com a ajuda perfeitamente possível do governador de Minas. O mandato poderia ser de 5 anos, como defendem muitos. Eleito, Serra deixaria o governo com 73 anos, perfeitamente realizado. Insatisfeito e com o povo ignorando-o.

Em número de cargos "ecléticos", mas com pouco saldo na conjugação do verbo "fazer". Nunca se preocupou com isso, sempre foi um mestre na comunicação e mobilização dos holofotes, da administração dos amestrados e do aproveitamento da televisão.

Começou como secretário do governador Montoro. Passou para o plano nacional, no qual foi tudo sem deixar marca de coisa alguma. Perdeu duas vezes para prefeito de SP, foi eleito muito mais tarde, depois de 8 anos de exploração do governo FHC.

Senador, mas isso não conta, pois não ocupou a cadeira, simultaneamente foi ministro do Planejamento e da Saúde. O lugar no Senado ficou ocupado pelo financiador de suas campanhas.

Um homem que já foi tudo, como José Serra, mas que na verdade persegue a presidência pelos caminhos e descaminhos os mais disparatados e para ele quase desesperados, depende cada vez mais da eleição municipal que será realizada no próximo domingo. Só que ele tentou (e até se julgou, como sempre) ser mais maquiavélico do que o próprio. E que agora nem sabe o que será melhor para ele mesmo.

O governador, que ocupou todos os cargos federais como homem do PSDB, resolveu vetar um companheiro ainda mais PSDB do que ele. Sendo que Alckmin teve em muitas oportunidades o apoio incondicional de Covas, coisa que Serra nunca teve.

E Covas, ninguém discute ou contesta, foi o maior personagem do PSDB. Não chegou a presidente, como outros, a política é indescritível e não pode ser analisada facilmente. O que será melhor para o sucesso de Serra em 2010? A derrota ou a vitória de Alckmin agora? Como Alckmin, segundo pesquisas, caiu 8 pontos, Serra não sabia e nem sabe se festeja ou se chora, desconsoladamente.

Os analistas que sabem analisar já viram, a queda de Alckin tem explicação clara e irrefutável: foi a entrada de FHC na campanha de Alckmin. Este já percebeu que o ex-presidente é impopularíssimo, e não acrescenta votos, ao contrário, tira. Mais problemas para Serra, neste 2008 e no futuro 2010.

PS - É muita coisa, depois examino a ligação Lula-PMDB. E o que dizem: "Lula elege até um poste". Teria que se multiplicar e modificar a história: o PT-PT só tem poste.
Amanhã

Jamais houve um escândalo tão grande e tão profundo quanto o das gravações. Como envolveu personagens dos Três Poderes, não chegará a conclusão alguma. ESTARRECEDOR.

Carlos Lacerda
Foi o grande governador eleito da Guanabara. Na linha de Pedro Ernesto, o primeiro prefeito eleito do Rio. Depois, o vazio total.

As pesquisas nos EUA são tão enganadoras quanto no Brasil. E nessa eleição de 4 de novembro, existe um complicador indecifrável até mesmo para o eleitor: um candidato negro, o que ninguém acreditava ou admitia. Isso se reflete nas respostas dos pesquisadores. Vejam só as alterações. Na semana de 14 a 21 de setembro, McCain estava 8 pontos na frente. De 21 a 28, Obama livra vantagem de 10 por cento. Não existe alteração assim, é dúvida.

A mulher do ministro Paulo Bernardo já foi candidata a governador e logo a senador em 2006. Desistiu das duas por falta de votos. Agora é candidata a prefeito de Curitiba, Beto Richa ganha no primeiro turno.
Ontem, às 2 horas da tarde de Washington, o presidente ainda apelava para Democratas e Republicanos votarem os 700 BILHÕES de dólares para ajudar os manipuladores. Todos diziam: "Bush faz verdadeiro terrorismo".

A Coca-Cola se orgulha no mundo inteiro: não perdeu um dólar ou um real em toda essa crise financeira. E garante: é a empresa mais sólida do mundo, está acima de qualquer banco.
Qualquer que seja o resultado da eleição de São Paulo, José Serra terá dissabores, que palavra. Podem se abraçar em praça pública, mas não haverá reconciliação Serra-Alckmin.

Já disse aqui, e reafirmo com toda a segurança: se ele puder influir, gostaria que a vitória fosse de Dona Marta. Assim, quase certo, ela seria a candidata de Lula. E Serra acha, "para ela não perco".
Jornalões e revistonas disseram: "Lula teve longa conversa com Michel Temer do PMDB, falaram sobre a vice-presidência em 2010, que deve ser do PMDB". Que conversa longa podem ter Lula e Temer?

Falam linguagem inteiramente diferente. Lula está com quase 80% de popularidade, Temer mal se elege deputado. Queria presidir a Câmara, agora pretende ser vice da República. Ha! Ha! Ha!
Não existe a menor dúvida e há meses venho chamando a atenção para o fato: ganhando ou não ganhando a eleição, o PSDB de SP ficará inconciliável ou irreconciliável. E haja o que houver, o grande perdedor se chama José Serra.

E indiretamente, o vencedor será o Brasil. A possibilidade de Serra ser presidente, retrocesso maior do que FHC. Já disse e repito: a vitória será de Alckmin, a derrota, de Serra e FHC.
A matéria grande da Veja, "Procura-se um estadista", é inútil, sem sentido e desnecessária. O mundo teve poucos estadistas, e os EUA, em 220 anos de eleição, teve apenas 4 estadistas.

O primeiro foi o líder da Independência (que eles comemoram na data errada) e o último, o presidente que acumulou mais mandatos. E que se elegeu em plena depressão, conseqüência de 1929.
A contradição dos jornalões. Manchete da Folha, logicamente baseada no Datafolha: "Kassab abre 4 pontos sobre Alckmin".

No mesmo texto, provavelmente escrito por repórteres sabendo que a pesquisa não está correta: "Kassab e Alckmin estão empatados". Que República.
Ontem, com 5 minutos de jogatina, o dólar já subia 3,61, indo a 1,91 alto. E a Bovespa mantinha o pano verde em baixa de 3,20. Era apenas o início.

Ao meio-dia a Bovespa estava em baixa de 6 por cento cravados. E o dólar subia 4 por cento, indo para 1,92, apesar do BC.
Às 2,42, quando havia a impressão de recusa do pacote de 700 BILHÕES, a Bovespa caía 7%. Às 3,53, com o pacote recusado, a queda era de 11,43%.

O dólar chegou às 3,54 a 1,97, com alta de mais de 6,23%. A Petrobras anunciava mais 2 poços em pouca profundidade e a queda passava de 15%. Pura manipulação. Nos EUA falavam em "SOCIALISMO".
4,30 em ponto, Bovespa menos 14% e Dow Jones em baixa de 6,23%. Vale, menos 20%, Gafisa caiu 13%.

No final, recuperação (pequena) aqui e em Wall Street. Dow Jones menos 5,47%, Nasdaq caiu 9%. A Bovespa, menos 9,75%. O dólar não chegou aos 2 reais anunciados.
A grande queda: MRV, a maior construtora do Brasil, menos 22%. Petrobras recuperou metade da queda.

A revista Veja não falha. Pela sexta semana consecutiva, parte contra o delegado Paulo Lacerda e a ABIN. Quer, evidentemente, impedir a volta de Paulo Lacerda ao cargo. Sua presença nele, portanto, ameaça fortemente Daniel Dantas.
A Veja chegou ao cúmulo de publicar, na edição que está nas bancas, duas reportagens. A segunda aproveitou uma entrevista do escritor John le Carré ("O espião que saiu do frio", "O alfaiate do Panamá").

Para atingir Lacerda, baseou-se na experiência de Le Carré como integrante do serviço secreto inglês e apontou uma paranóia mundial (vejam só) em matéria de interceptações e gravações. Não se referiu, é claro, à matéria que publicou em 2001 sobre uma conversa gravada de Ricardo Boechat, então titular da Coluna Swann, no Globo. Incrível.
Incrível também o debate frontal, ontem, na Folha de São Paulo, entre o ministro Gilmar Mendes e o diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. O jornal deu uma página inteira para cada um. O presidente do Supremo, que agora é polemista pró-Daniel Dantas, afirma que o estado policial encontra-se fora de controle. Criticou portanto o governo Lula.
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Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, o maior corrupto do mundo e dono do Inter (de Milão), assistiu no estádio a derrota do seu time. Não ficou aborrecido. Para ele, só o fato de estar em liberdade já é lucro.

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Tristeza com a morte de Paul Newman, grande ator e diferente personagem. Espero que a televisão, pelo menos, passe alguns filmes dele.

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A Ferrari gasta centenas de milhões de dólares e não sabe apertar um botão. É justo que perca o campeonato de Fórmula 1, apesar da injustiça com Felipe Massa.

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Amanhã, dia 1º, "Encontro de amazônidas" no Clube Militar. Espero que rádios, jornais e televisões não esqueçam de dar ao acontecimento o destaque merecido. É o grito de revolta dos que conhecem a Amazônia, viveram lá, sabem o potencial de riqueza inteiramente abandonado.

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O comentarista esportivo Alex Escobar é o que mais cresce na NET. Ontem, apareceu no "Bom Dia, Brasil" da Globo, nem sabia que ele tinha terno e gravata.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Antecipada a briga pela vice (Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa)

BRASÍLIA - A disputa acirra-se antes mesmo de realizadas as eleições municipais e de conhecidos os seus resultados: PMDB, de um lado, e pequenos partidos aliados do governo, de outro, já se engalfinham para indicar o candidato à vice-presidência da República na chapa de Dilma Rousseff. Ou, como alternativa meio malandra, para ocuparem o mesmo lugar numa hipotética, mas cada vez mais viável candidatura do presidente Lula a um terceiro mandato.

O prêmio parece apetitoso, num caso ou no outro. O PMDB já começou a triagem, tendo como possíveis indicados os governadores Sérgio Cabral e Roberto Requião, os ministros Nelson Jobim e Edison Lobão, o deputado Michel Temer, que nesse caso até abriria mão de candidatar-se à presidência da Câmara e, fechando o círculo, por que não o presidente do Senado, Garibaldi Alves?

Do lado dos pequenos partidos da base oficial, uma candidatura sobressai, a do deputado Ciro Gomes, que no último fim de semana admitiu publicamente a possibilidade. Decidirá a questão o presidente Lula, mas no momento certo, ou seja, lá para o final do ano que vem. As preliminares, porém, já estão postas. Açodadamente, sem dúvidas, mas dentro da lição daquele velho provérbio árabe, de que bebe água limpa quem chega primeiro na fonte. Começando pelo começo, como diria o saudoso Chacrinha.

Sérgio Cabral tornou-se a mais nova estrela do universo lulista. Faz tudo o que seu mestre manda e, em retorno, recebe até mais do que o governo federal poderia dar ao Rio de Janeiro. Juventude e experiência não são incompatíveis, nesse caso, pois o Serginho, como é carinhosamente chamado, consegue superar parte dos gravíssimos problemas do estado e da antiga capital. No PMDB, ocupa a pole-position.

No partido que já foi do dr. Ulysses, fosse para seguir as lições do patrono e Roberto Requião venceria qualquer convenção, desde que para indicar o candidato ao Palácio do Planalto. Para vice, há divergências, tendo em vista a independência do governador do Paraná e, até mesmo, suas posições polêmicas. Mas está no páreo.

Houve tempo, há mais de um ano, que Nelson Jobim usava a coroa de príncipe de Gales. Deixando o Supremo Tribunal Federal antes do prazo, com certa ingenuidade disputou a pré-indicação para presidente do PMDB, sendo enrolado pelas raposas felpudas do partido. Hesitou um pouco, mas aceitou tornar-se ministro da Defesa, numa quadra delicadíssima onde não foi poupado o correto Waldir Pires.

Cresceu, mesmo criando um caso por dia com suas declarações - coisa que mais ou menos continua até hoje. Participa daquele grupo que, no governo e no PMDB, não se enquadra na ortodoxia da prática política. Está para o que der e vier, já que não dará mesmo para disputar seu objetivo maior, o Palácio do Planalto.

Edison Lobão não disputa a condição de estrela maior no céu de brigadeiro em que se tornou o governo Lula. É um cometa de grandes proporções e luminosidade. Enganou-se quem imaginou se constituísse num corpo estranho no governo, uma imposição do PMDB ao chefe maior. Por competência política e sorte, tornou-se Minas e Energia o ministério do coração do Lula. Só não recebe mais telefonemas diários do presidente do que Dilma Rousseff. Mas deixa longe Guido Mantega e qualquer outro.

Da descoberta do petróleo no pré-sal à entrada em carga da nona turbina de Itaipu, da programação de 50 novas usinas nucleares ao chega-para-lá dado na Petrobras, da firmeza com que negociou a nova partida do gás boliviano à condição de convidado especial na última reunião da Opep, o senador poderá ser levado a arquivar o sonho de voltar a governar o Maranhão, se for à troca da vice-presidência na chapa encabeçada pelo PT.

Michel Temer pode ser considerado a "opção Bom-Bril", excelente para mil e uma utilidades. Consegue dar nó em pingo d'água, mantendo-se há mais de uma década na liderança do PMDB, como seu presidente, capaz de compor interesses tão conflitantes quanto explosivos. Se os pretendentes acima citados forem sendo escanteados, cada um por uma razão engendrada no comando do partido, sobrará quem, a não ser Temer?

Para Garibaldi Alves sobra a condição de uma espécie de regra-três de Michel Temer. Cresceu na presidência do Senado, até batendo de frente com o Executivo, na questão das medidas provisórias. Se o presidente Lula quiser alguém tão independente quanto leal, não esquecerá de mandar botar Garibaldi na lista "como maior de espadas". A referência vai para uma das múltiplas rasteiras que Getúlio Vargas passou nos políticos quando se tratou de indicar o novo governador de Minas, dada a morte de Olegário Maciel. Entre Virgílio de Mello Franco e Gustavo Capanema, o caudilho mandou relacionar, só para constar, o nome de Benedito Valadares. Poderia Lula fazer o mesmo?

Com relação aos pequenos partidos, surpresas poderão acontecer, já que PSB, PC do B, PTB, PDT, PR e PP, entre outros, não se entendem mesmo. Um nome, porém, sobressai do conjunto, até já referido pelo presidente Lula. É o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes, duas vezes candidato presidencial derrotado, uma por Fernando Henrique, outra pelo Lula. Dias atrás ele declarou admitir tornar-se companheiro de chapa de Dilma Rousseff. Disse que jamais ficará contra o presidente da República, ou seja, só disputaria a presidência como indicado dele.

Em suma, o quadro hoje é esse, tornando-se óbvio que, com tantos candidatos disputando a vice-presidência, o natural é que logo se engalfinhem. E com o beneplácito do Lula, que de ingênuo não tem nada. Aos referidos pré-candidatos abrem-se duas opções: ser vice de Dilma ou de... (cala-te boca).

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Para líder tucano, só 'unidade' salva PSDB em 2010

José Aníbal atribui popularidade de Lula a três fatores

‘Tem a ver com sorte, astúcia e pragmatismo’, afirma

Acha que, em 2010, presidente será ‘um eleitor forte’

Considera ‘muito provável’ que Dilma vá ao ‘2º turno’

Condiciona o êxito do tucanato à unidade Serra-Aécio



Folha
O líder do PSDB na Câmara falou ao blog na noite desta segunda (22), sob o impacto da pesquisa Sensus: popularidade de Lula em 77,7% e aprovação do governo em 68,8%. Vai abaixo a entrevista do deputado José Aníbal (PSDB-SP):



- A que atribui a alta popularidade de Lula?

Tem a ver com sorte, astúcia na propaganda e pragmatismo na economia.

- Como assim?

Na eleição passada o Lula criou o biocombustível. Agora, veio com o pré-sal. Ele percebeu, antes de todo mundo, que o pré-sal é um ovo do Colombo em termos políticos. E se não de em nada? Não tem a menor importância. Ele fica alimentando isso. Cria um clímax. Faz da mera possibilidade uma certeza absoluta de que o país será um dos maiores exportadores de petróleo do mundo no curto prazo. E fatura os dividendos políticos.

- Não atribui importâncias aos programas sociais?

Claro que sim. O Lula demorou pra perceber. Começou o governo perdendo tempo com o Fome Zero. Mas logo notou a importância da rede de proteção social iniciada no governo Fernando Henrique.

- Isso não foi correto?

Está certo. Ele pegou o cadastro dos quatro programas criados pelo Fernando Henrique: Bolsa Alimentação, Bolsa Escola, Vale Gás e combate ao trabalho infantil. E unificou tudo num único programa.

- E quanto ao desempenho da economia?

Nesse ponto entra o pragmatismo do Lula. Ele não tem nenhum compromisso de natureza ideológica, zero. É um pragmático.

- Isso é bom ou ruim?

Na economia foi bom. Essa qualidade o levou a se empenhar para preservar os fundamentos econômicos, contra tudo o que preconizava no passado. Isso não é coisa só do [Antônio] Palocci. É do Lula. Se não fosse o Palocci seria outro. O pragmatismo do Lula está na Carta ao Povo Brasileiro. Ali está o Lula por inteiro –um sindicalista objetivo, negociador, que busca resultados.

- Então, a seu juízo, a popularidade do presidente está fundada num tripé?

Exatamente. Empregou o pragmatismo na economia e na fusão dos programas sociais. Vale-se de uma intuição para a propaganda que nenhum outro tem. Além disso, teve sorte e não tem compromisso com nada e com ninguém, só com ele mesmo. Mistura tudo isso com o vento a favor que sopra na economia mundial e chega-se a esse índice de popularidade.

- A crise nos EUA não representa uma virada no ambiente favorável?

Claro que sim. Mas ainda não surtiu efeitos no Brasil. Além disso, o Lula, de novo, constrói o discurso à sua maneira. Num primeiro momento, ele disse: ‘Isso é problema do Bush.’ Depois, teve de admitir: ‘Bom, sempre que os EUA entram em crise devemos nos preocupar.’ É óbvio que se essa crise se aprofunda, acaba afetando o Brasil.

- Não acha que falta discurso ao PSDB para se contrapor ao Lula?

Discurso o PSDB tem. O que falta ao partido é unidade.

- Qual é o discurso?

Se você ligar para qualquer liderança nacional nossa, vai ver que todas têm uma boa reflexão. Com começo, meio e fim. O que falta pra nós é uma ação mais combinada, mais convergente. Precisamos nos comportar de modo mais unitário, em conjunto.

- Falta de unidade é problema para 2010, não?

Sim. O grande problema nosso para 2010 chama-se unidade.

- Refere-se a José Serra e Aécio Neves?

Exatamente. Não há outro caminho pra nós em 2010 que não seja a unidade entre Serra e Aécio.

- Lula prevaleceu duas vezes sobre um PSDB desunido –Serra, em 2002; e Alckmin, em 2006. O que o leva a crer que haverá unidade em 2010?

Vivemos nesse período a que você se refere uma fase em que a afirmação do projeto do partido ficou menos importante do que os candidatos. Não assumimos o que fizemos de bom. As duas campanhas foram importantes, mas se apresentaram dissociadas do que o partido tinha conquistado.

- Envergonharam-se da fase FHC?

É o que eu acho. Deixamos de agregar ao nosso discurso conquistas importantes e inegáveis. Aí entra o Lula com o estilo Carta ao Povo brasileiro. O que ele sinalizou: ‘Olha, pessoal, nós vamos fazer o nosso dever de casa direitinho.’

- Não acha que, mantida a popularidade, Lula chega a 2010 com chances de fazer o sucessor?

Ele é, sem dúvida, um eleitor forte.

- Dificilmente deixará de levar Dilma Rousseff pelo menos ao segundo turno, não acha?

Ele diz que vai eleger. É preciso considerar que o quadro será outro. Não sei se pior ou melhor pra ele. Mas é muito provável que ele consiga levar alguém para o segundo turno. Ele e a máquina que se formou em torno dele. O Lula exerce poder hegemônico sobre o PT. Os chamados partidos aliados estão totalmente dependentes dele, que negocia tudo. Juntando ele e essa máquina, evidentemente, dá densidade para uma candidatura presidencial.

- Como enfrentar?

Por isso falo de unidade. Para nós, hoje, competência tornou-se sinônimo de unidade. Se tivermos unidade, principalmente entre Serra e Aécio, juntamos o partido inteiro, agregamos outras forças políticas e ganhamos a eleição.

- Refere-se a uma chapa puro sangue?

Não necessariamente. O essencial é que os dois estejam juntos. E quando digo juntos, quero dizer juntos pra valer. Pra nós, não tem outro caminho.

- Que tipo de país acha que Lula vai entregar?

O Lula é extremamente conservador, não entra em bola dividida. Não fez e não fará nenhuma das reformas importantes. Vai entregar, ele sim, a herança maldita. É licencioso. Opera com o momento. Está entrando mais dinheiro? Então gasta mais, desbragadamente. E deixa a bomba para o próximo.

Escrito por Josias de Souza às 02h17

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pesquisa CNT/Sensus mostra que três em cada quatro brasileiros aprovam presidente Lula

Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostrou que a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu o patamar de 77,7% - nos mesmos níveis do início de seu governo, em 2003.

Os números foram revelados em pesquisa realizada pelo Instituto Sensus, encomendada pela CNT, com duas mil pessoas de todas as regiões do país, entre os dias 15 e 19 deste mês, com margem de erro de três pontos percentuais, para mais e para menos.

A alta avaliação do presidente Lula refletiu o desempenho do governo em geral, aprovado por 68,8% dos entrevistados, conforme afirmou o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, ao divulgar hoje (22) os resultados da pesquisa. Em especial, segundo ele, por causa dos bons resultados da economia, dos programas sociais e do aumento do poder de compra do trabalhador.

Segundo Guedes, a popularidade do presidente não implica, obrigatoriamente, em transferência de votos. Lula tem potencial de 44,1% quanto ao apoio de candidatos a prefeitos, nas eleições do próximo dia 5. O mesmo não acontece, porém, com relação à sucessão presidencial, em 2010, quando o escolhido em todas as simulações é o governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, se as eleições fossem hoje.

Ricardo Guedes disse que “sem dúvida”, o presidente Lula “é o maior cabo eleitoral do Brasil e tem força de transferência”, mas o candidato apoiado por ele “tem que ser politicamente palatável”. E, pelo menos por enquanto, os possíveis candidatos petistas à sucessão de Lula ainda não apresentam forte nível de competitividade, de acordo com o diretor do Sensus.

Em simulações de primeiro turno, Serra teria 38,1% dos votos, contra 17,4% do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), 9,9% da ex-senadora Heloísa Helena (P-SOL-AL), e só então viria a ministra da Casa Civil, Dilma Housseff, que tem o apoio do presidente da República.

Nas medições para o segundo turno da corrida presidencial, Serra venceria Dilma Rousseff por 51,4% a 15,7%, e se o concorrente fosse o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, outro nome lembrado pelos petistas, a diferença seria ainda maior: de 55,1% a 7,7%. A disputa mais acirrada em um possível segundo turno seria com Ciro Gomes, por 47,1% a 22,5%

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Se Serra perder, Aécio enfrenta Dilma (Pedro do Coutto - Tribuna da Imprensa)

As mais recentes pesquisas sobre intenções de voto para a prefeitura da cidade de São Paulo, tanto a do Ibope quanto a do Datafolha, apresentam um avanço de Gilberto Kassab sobre Geraldo Alckmin e uma queda de 3 ou 4 pontos de Marta Suplicy, que, apesar disso, segue disparada na frente.

Desceu para 35 por cento e está previamente classificada para o segundo turno. A dúvida é se será contra Kassab ou Alckmin. Não existia esta dúvida, mas passou a existir. O ex-governador vem recuando, o atual prefeito avançando. Para o Ibope, ambos encontram-se empatados no vigésimo segundo andar. Para o Datafolha, Kassab atingiu 22 pontos, Alckmin ficou com 21.

Se Alckmin for qualificado para o confronto decisivo, o resultado, hoje, seria imprevisível. Mas se couber a Kassab enfrentar Marta, a ex-ministra do Turismo leva boa vantagem. É explicável. Gerald Alckmin, no segundo turno, arrebata os eleitores de Kassab. Mas se Kassab superar o ex-governador, nem todos os que tiverem votado em Alckmin vão para ele, magoados com o comportamento do governador José Serra, que, embora do PSDB, mantém-se dúbio entre os principais competidores de Marta Suplicy.

A meu ver, Marta deve torcer para que seu adversário seja Kassab. Eleita a candidata do PT, a derrota será de José Serra. Com isso, sem sombra de dúvida, crescerá a candidatura de Aécio Neves entre os tucanos para enfrentar Dilma Rousseff, candidata declarada de Lula, na sucessão presidencial de 2010. O governador de São Paulo, até o momento, está mais forte do que o governador de Minas Gerais no partido e, portanto, na convenção. Mas continuará mais forte depois das urnas?

Esta é a pergunta. Sobretudo porque, junto com o PT, Aécio vai vencer em Belo Horizonte com o candidato Marcio Lacerda disparado nos levantamentos do Ibope e Datafolha. O quadro da capital mineira está nítido. O da cidade de São Paulo, não. Há nuvens em torno, não só do desfecho, mas também em volta de Serra. Se Alckmin vencer, depois das vacilações do governador, não é absolutamente certo que o apoiará na luta pelo Planalto. Alckmin pode até preferir Aécio, que sempre o prestigiou e esteve com ele. Política é um enigma.

De qualquer forma, a candidatura de Serra à presidência passou a correr risco. Pode até não se consolidar. Vai depender do desfecho de São Paulo. No entanto, o panorama para daqui a dois nos não apresenta muitas alternativas. A ministra Dilma Rousseff pelo PT, em aliança com o PMDB de José Sarney, como este já afirmou diretamente. Ciro Gomes, no esquema, fica sem espaço, pelo menos ao lado de Lula. Pertence ao PSB.

Se disputar sozinho, não tem chance. Vice, ele só poderá ser de Serra ou Aécio, pela oposição. Não companheiro de chapa da chefe da Casa Civil. Pois o vice de Dilma Rousseff, mantido o quadro de hoje, terá que ser alguém do PMDB. Política é assim. Alternativas surgem. Alternativas se esgotam. Ciro Gomes já disputou a presidência duas vezes: teve 10 por cento dos votos em 98; 12, em 2002. Não concorreu em 2006. Dificilmente poderá concorrer em 2010. Explosivo, pavio curto demais.

Um outro assunto. Excelente reportagem de Juliana Sofia, "Folha de S. Paulo" de 13 de setembro, focalizando os déficits que marcam o desempenho dos regimes previdenciários estaduais. Uma verdadeira calamidade. Em seu conjunto, somaram um total de 20,5 bilhões de reais. Só em 2007. Pela forma com que atuam os governos dos estados, os prejuízos só podem crescer e jamais equilibrar a despesa com a receita.

Os dados, citados por Juliana Sofia, são do próprio Ministério da Previdência Social. Explico porque os déficits deverão ser cada vez maiores. O do Rioprevidência - RJ, por exemplo, registrou no exercício passado um saldo negativo de nada menos que 3,2 bilhões de reais. Para uma receita (contribuição do funcionalismo) de 2,4 bilhões, verificou-se uma despesa da ordem de 5,6 bilhões. Não acontece por acaso.

Trata-se do seguinte: os funcionários antigos são estatutários. Recolhem, portanto, 11 por cento de seus vencimentos, sem limite, para a seguridade. A taxa média de aposentadoria é de 12 mil casos por ano. O desembolso com o pagamento das aposentadorias - como é natural - cresce.

E não é compensado pelo ingresso de novos servidores, uma vez que os que entram são contratados diretamente pela CLT, ou por intermédio de ONGs, e assim, em ambos os caos, não contribuem para o Rioprevidência e sim para o INSS. O mesmo acontece com os cargos em comissão. Dessa forma, o governo do Rio de Janeiro, em vez de captar recursos para a área do estado, os transfere para a esfera federal.

Descapitaliza-se, portanto. Mas não apenas isso. Como empregador celetista, tem que recolher 22 por cento sobre a folha de salários também para o INSS. É o que determina a lei. Se as admissões fossem estatutárias, a administração Sergio Cabral livrar-se-ia desses 22 por cento e a parte de 11 por cento, dos funcionários, seria paga por eles próprios.

A celetização do Serviço Público, como se vê, custa imensamente mais caro, não só ao RJ, mas a todos os estados. Por que governadores a adotam então? Eis aí uma pergunta sem resposta. A menos que o objetivo seja canalizar recursos financeiros para ONGs que crescem velozmente no País. Um mistério.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Jobim no fio da navalha (Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa)

BRASÍLIA - Caso não sobrevenha um imprevisto, o ministro Nelson Jobim prestará depoimento, hoje, na CPI dos Grampos, na Câmara. Ainda que com todo o respeito, será confrontado com perguntas incômodas. Como explica que tenham chegado ao seu gabinete informações apenas sobre sete escutas telefônicas promovidas no âmbito das Forças Armadas, quando o Superior Tribunal Militar informa terem sido 234, só este ano? Afinal, Exército, Marinha e Aeronáutica possuem aparelhos para grampear telefones?

O que dizer da revelação do jurista Ives Gandra Martins de que em 2007 foram autorizadas 409 mil escutas telefônicas? Os organismos ligados à inteligência devem dispor do direito de grampear telefones e ambientes variados, claro que com autorização judicial? Como punir agentes de informações flagrados promovendo escutas irregulares?

Abre-se para o ministro da Defesa excelente oportunidade de falar pelo governo e repor a crise em seus devidos termos, quer dizer, justificar a existência de instituições aparelhadas para monitorar criminosos, jamais para bisbilhotar a vida de cidadãos acima de suspeitas.

Caso venha a sair-se bem, Jobim poderá receber a grata surpresa de ser incluído no rol dos presidenciáveis, melhor dizendo, dos vice-presidenciáveis, na hipótese de o PMDB insistir na formação de uma chapa com Dilma Rousseff. Perdendo-se em inconsistências, porém, arrisca-se a cair em desgraça no Palácio do Planalto. Dias atrás o presidente Lula determinou-lhe ficar em silêncio para não conturbar ainda mais a crise dos grampos. Se for falar, é porque, no mínimo, foi liberado pelo chefe para transitar pelo fio da navalha.
Números inexplicáveis

De quatro, positivamente, o Brasil não se encontra, ficando a razão com o ministro Guido Mantega. Mas não dá para explicar porque, no auge da crise que levou a Lehman Brothers à breca, tenha a bolsa de valores de Nova York caído 4.42 pontos, enquanto a Bovespa, no mesmo dia, caiu 7.59 pontos. Nosso colchão será mais macio que o deles, permitindo queda mais acentuada?

É bom tomar cuidado, porque cresceu nas últimas semanas a fuga de investimentos externos. O dinheiro sai bem mais do que entra, em nossa economia, coisa que nem o momento mágico do pré-sal consegue evitar. As ações da Petrobras perdem valor quando deveriam constituir-se na taboa de salvação dos especuladores estrangeiros. Tem algo de errado por aí.
Contra Lula, Serra fica em São Paulo

José Serra não confirmará nunca, vai jurar de pés juntos que não disse, mas alguém de sua intimidade revelou sua resposta dada de bate-pronto diante da indagação sobre um hipotético terceiro mandato. Rejeitando a possibilidade de disputar o Palácio do Planalto contra o presidente Lula, em 2010, o governador admitiu, então, concorrer a um segundo mandato em São Paulo.


"E quem seria o candidato do PSDB à presidência da República?" "Ora, o Geraldinho, que já tem experiência...". Ninguém, no ninho, admite que o presidente Lula aceite mudar as regras do jogo para permanecer no poder. Até porque, as oposições não deixariam, imaginam os cardeais do PSDB. Mesmo assim, uma nuvem de carcarás poderá melar o plano de vôo e ofuscar a revoada dos tucanos. Porque se Dilma Rousseff não emplacar, se as pesquisas indicarem no momento apropriado a vitória incontestável de Serra, penas vão se espalhar por todo lado.
Vai sem falar de crise

Dia 22 o presidente Lula estará em Nova York. Será homenageado com jantar oferecido por empresários de lá e de cá, possivelmente conversará com o presidente George W. Bush, em Washington. Seus assessores internacionais já estão preparando a visita, com uma recomendação especial: não abordar a crise financeira americana. Responder, no máximo, que confia na capacidade da economia dos Estados Unidos superar as dificuldades atuais.

Apesar do momento mágico promovido pelo pré-sal, o presidente Lula parece disposto a retomar a campanha proselitista do etanol, até mesmo buscando convencer empresários e governantes americanos de que o produto retirado do álcool é mais barato do que o proveniente do milho. Além, é claro, de não contribuir para a falta de alimentos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Cenário favorece PT para a sucessão de Lula

Candidatos de partidos da base aliada do governo lideram pesquisas em 19 das 26 capitais

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não anunciou quem será seu candidato à sucessão, mas o escolhido deverá partir para a campanha com uma invejável rede de apoio nas capitais brasileiras. Hoje, candidatos de partidos da base aliada do presidente lideram as pesquisas de intenção de voto em 19 das 26 capitais, levando vantagem até em importantes redutos políticos administrados pela oposição, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Para se ter uma idéia do que representa esse potencial político, as 19 capitais que estão se alinhando com o governismo representam um universo de aproximadamente 22,5 milhões de eleitores, excluindo o total de Belo Horizonte. Do lado da oposição, os apoios das capitais representam cerca de 4,9 milhões de eleitores.

O desempenho reflete a alta popularidade de Lula, cujo governo estabeleceu sua melhor marca de aprovação, segundo pesquisa do Datafolha, publicada sexta-feira, impulsionado por bons resultados na economia, como o crescimento de 6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Essa projeção de vitórias aliadas nem leva em conta a situação peculiar de Belo Horizonte, onde o líder das pesquisas, Márcio Lacerda, pertence a um partido da base aliada (PSB), mas ligado politicamente tanto a um governista (o prefeito petista da capital mineira, Fernando Pimentel) como a um oposicionista (o governador tucano Aécio Neves).

Se o atual cenário se confirmar nas urnas, o futuro candidato governista à Presidência terá a seu favor uma base de apoio municipal superior à que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso repassou para seu candidato, José Serra, na eleição de 2002.

Na ocasião, Serra saiu do Ministério da Saúde para se tornar o candidato oficial de Fernando Henrique tendo apenas 13 das 26 capitais alinhadas à base governista. O atual governador de São Paulo acabou derrotado por Lula.

Obviamente, o bom resultado dos governistas nas eleições municipais não garante a vitória automática na sucessão presidencial. Mas amplia consideravelmente a capilaridade de sua campanha e garante palanques nas maiores cidades do País.

Esse aspecto acaba sendo mais vantajoso no caso de Lula confirmar a tendência de bancar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Estreante em campanhas, Dilma precisa mais do que outros candidatos desse tipo de apoio regional, justamente para tornar seu nome mais conhecido. Natal vive situação peculiar. Micarla de Souza lidera as pesquisas e pertence ao PV, partido da base que controla, inclusive, o Ministério da Cultura.

Apesar disso, politicamente Micarla é ligada ao líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), e à senadora Rosalba Ciarlini (DEM). Agripino é um dos principais críticos do governo no Senado. Se Micarla for eleita, entretanto, há quem aposte que ela se aproximará do governo federal, aumentando ainda mais o arco de aliados de Lula eleitos.

Os governistas têm esperanças de melhorar ainda mais seu desempenho na votação municipal. Com o bom momento da economia, acreditam que podem impedir a vitória da oposição em pelo menos mais duas capitais: Salvador e São Luís. Na capital baiana a aposta é no crescimento do petista Walter Pinheiro ou numa reação do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB). No momento, a vantagem é do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM).

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Berzoini confirma: candidata do PT será Dilma

RECIFE - Passadas as eleições municipais de 2008 - cuja expectativa é de grande crescimento do PT em todo o País - o objetivo do partido será o de discutir 2010, para vencer a eleição presidencial, com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e manter o "projeto exitoso" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A afirmação foi feita ontem, em entrevista coletiva, no Recife, pelo presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini

Num discurso que reforçou o que já vem sendo destacado pelo presidente Lula, Berzoini afirmou que o PT, além de cuidar da sua unidade interna, deve discutir e aprofundar, com universidades e sindicatos, o debate sobre a plataforma a ser apresentada em 2010, com um Brasil pós-Lula em situação bem mais favorável

Por isso, defendeu que tal plataforma deve girar em torno de uma estratégia da política industrial brasileira para alcançar um maior nível de produtividade e de capacitação tecnológica capazes de enfrentar os desafios do século 21.

"E também avançar com maior celeridade e maior aprofundamento não apenas para distribuir a renda, mas criar oportunidades sofisticando o planejamento político e administrativo do País", disse. Ele lembrou que o País ainda é muito desigual, mas vive outro momento. E que a geração de riqueza, com a descoberta do pré-sal deve propiciar a geração de um projeto forte de educação

Berzoini já visitou 14 estados na sua missão de ajudar as campanhas eleitorais municipais. Na sua programação no Recife, que se encerra amanhã, ele participará de atos de campanha dos candidatos petistas. Ele relembrou que foi no Recife que o presidente Lula fez o primeiro comício da sua campanha à reeleição, ao lado de dois candidatos aliados que disputavam o governo de Pernambuco - o vencedor da eleição, Eduardo Campos (PSB) e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT). "A partir do Recife, foi sinalizado o objetivo maior da campanha, o de não permitir retrocesso no País", reforçou Berzoini
Lula: sucessor pode ser mulher

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu em declarações ao jornal argentino "Clarín" que deseja uma sucessora presidencial "que seja mulher". Na segunda parte da entrevista exclusiva ao jornal portenho publicada ontem - coincidindo com a visita da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, à Brasília - Lula indicou que vai escolher seu sucessor. "Não posso dizer quem é, mas existem muitas possibilidades de que (o sucessor) será uma mulher", disse Lula.

Lula citou ainda que o cenário econômico brasileiro será positivo nas eleições. "O Brasil estará muito bem em 2010", disse Lula. Mostrando segurança em poder fazer seu sucessor, sustentou que para a época das próximas eleições presidenciais, "chegaremos em uma situação muito confortável".

"Vamos estar em uma economia em crescimento, uma renda per capita em aumento, os trabalhadores vão melhorar, os pobres serão menos pobres. Isso é o que garante uma eleição", disse. Segundo ele, seja quem for o sucessor, terá que "fazer mais do que um torneiro mecânico".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Ciro admite compor com Dilma

Deputado afirma que não seria impossível uma chapa com a ministra para a sucessão de 2010

SÃO PAULO - O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) admitiu ontem a possibilidade de compor uma chapa eleitoral com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), para disputar a sucessão presidencial de 2010. Ao falar a respeito de Dilma, que é o nome mais cotado do PT para disputar a Presidência da República, contando com o apoio do presidente Lula, Ciro destacou que não seria difícil uma composição política com ela: "A ministra Dilma é uma pessoa extraordinária."

O parlamentar e ex-ministro, que participou ontem em São Paulo de evento de comemoração dos 40 anos da revista "Veja", foi questionado também sobre uma eventual composição com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), em 2010. A esse respeito, frisou que apesar dos dois serem muito amigos, militam em diferentes esferas políticas, o que dificultaria uma eventual aliança partidária. Ainda sobre Dilma, Ciro disse: "Dilma tem um pouco mais de estrada na vida nacional, embora estrada nenhuma na vida eleitoral."

Apesar de acenar com a composição política com a ministra Dilma em 2010, o deputado esquivou-se em definir quem poderia ser cabeça de chapa à Presidência da República. "Isso é o Brasil que vai definir em 2010, ninguém é candidato de si próprio", limitou-se a dizer.

Ciro afirmou também que atualmente existem cinco nomes que podem se tornar candidatos à sucessão de Lula em 2010. Pela situação, ele e Dilma Rousseff, e pela oposição os governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), e de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL)

(Tribuna da Imprensa)

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Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.