domingo, 7 de março de 2010

Plano do PT prevê Dilma à frente de Serra até julho


Lula Marques/Folha
O PT enganchou sua estratégia de campanha a uma meta: deseja que Dilma Rousseff ultrapasse José Serra nas pesquisas antes de 1º de julho.



Pelo calendário da Justiça Eleitoral, é nesse dia que começa a propaganda eleitoral eletrônica. Os candidatos levarão a cara à TV e a voz ao rádio.



Animado com o Datafolha que acomodou Dilma a quatro pontos dos calcanhares de Serra, o petismo passou a cultivar uma “certeza”.



Além de chegar à vitrine eletrônica na frente de Serra, Dilma vai ao ar com ares de "favorita".



Um favoritismo tonificado pelo flerte do eleitor com a tese da “continuidade”.



Para converter pretensão em realidade, o PT ajusta sua tática. Nos próximos meses, planeja, por exemplo, intensificar as viagens de sua candidata a São Paulo.



Nesse ponto, o plano do partido coincide com a vontade de Lula. Também ele avalia que o jogo da sucessão será jogado no Sudeste, com peso em São Paulo.



Tomado pela leitura que o governo faz da conjuntura, o tucanato joga suas fichas em São Paulo e Minas. Daí a pressão para que Aécio Neves aceite ser vice.



Enxerga-se lógica na movimentação do rival. O PSDB tenta compensar nos dois maiores colégios eleitorais a dianteira de Dilma nas regiões Nordeste e Norte.



Lula e o PT farão o que puder para atrapalhar. Além dos seus próprios esforços, contam com um desgaste "natural" de Serra.



Afora o estrago provocado pelas enchentes, estima-se que o PSDB está na bica de enfiar na coligação de Serra duas encrencas: Roberto Jefferson e Joaquim Roriz.



Para tonificar o tempo de TV de Serra, menor que o de Dilma, o tucanato negocia a adesão do PTB de Jefferson e do PSC de Roriz.



O petismo solta fogos. Acha que os dois novos aliados do adversário não serão digeridos pelo eleitor de classe média, simpático a Serra.



Estima, de resto, que, de mãos dadas com Orestes Quércia (PMDB), Jefferson e Roriz, Serra perde as condições de se enrolar na bandeira da ética.



O zero a zero no placar das perversões empurraria a disputa, segundo a visão de integrantes da cúpula do PT, para o campo programático.



Nesse quesito, o PT acredita que Dilma tende a prevalecer de goleada. Por quê? Ela seria a única contendora com legitimidade para dizer que manterá Lula, aprofundando-o.



Para o PT, Dilma tem a era Lula para apresentar. E Serra teria dificuldades para contrapor sua gestão paulista aos “feitos” de Brasília, de amplitude nacional.



Imagina-se também que será fácil colar a imagem do ex-ministro Serra à de FHC, um ex-presidente que frequenta as pesquisas com semblante de rejeitado.



Embora Serra ainda não tenha retirado a candidatura do armário, o PT já o tem como adversário. Mais: descrê da hipótese de Aécio virar vice.



Torce para que o companheiro de chapa de Serra venha das fileiras do DEM. Algo que, mercê dos panetone$ do DF, lhe furtaria de vez o discurso da ética.



Na prancheta, a estratégia do PT é infalível. Submetido ao acaso, personagem invisível e caprichoso, o plano terá de vencer o imprevisível.



De concreto, apenas uma previsão é, por ora, infalível: pode até acontecer que a Dilma ganhe, na hipótese de que não perca.

Escrito por Josias de Souza às 06h02

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Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.